Mutirões dobram cirurgias de catarata
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de julho de 2000
Gabriela Scheinberg Agência Folha De São Paulo 
O Ministério da Saúde quer acabar com a fila de espera para cirurgia de catarata até 2002. Especialistas estimam que a demanda atrasada seja de 450 mil cirurgias, sem contar os novos casos que aparecem todos os anos.
Vamos acabar com a fila de espera. A demanda será composta apenas pelos novos casos, disse o ministro da Sa© úde, José Serra.
Para conseguir atingir a meta, o ministro conta com os mutirões contra a doença que, em 99, dobraram o número de cirurgias realizadas. Somente nos mutirões, em 99, foram feitas 153 mil cirurgias. No total, 248 mil procedimentos foram realizados.
O ministério cobre os gastos do mutirão por fora do teto oficial do Estado. No ano passado, as cirurgias custaram R$ 66,4 milhões. A rotina de exames, excluindo mutirão, custou R$ 31,2 milhões.
O ministro afirmou que a meta, este ano, é realizar 200 mil cirurgias de abril a dezembro. Alguns Estados já realizaram o mutirão. Outros estão programados para o segundo semestre.
A catarata é uma doença provocada pela opacidade do cristalino, lente que fica no interior do olho. As imagens passam pelo cristalino e se formam na retina. Se o cristalino está opaco, a imagem fica embaçada. Com o avançar da doença, a imagem fica cada vez pior, culminando na cegueira.
Segundo Rubens Belfort Filho, professor-titular de oftalmologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a catarata é a principal causa de cegueira no mundo. Dados da Organização Mundial de Sa© úde indicam que duas em cada mil pessoas ficam cegas por ano devido à catarata.
A doença é tão comum que é considerada por muitos como parte do processo de envelhecimento, assim como as rugas e os cabelos brancos.
Para priorizar a cirurgia para a catarata, o governo e os hospitais públicos realizam, desde 99, o mutirão contra a doença.
Há 20 anos, a cirurgia para catarata era elitizada. Tivemos que mudar a cultura de que é normal uma pessoa idosa perder a visão, afirma Newton Kara José, professor-titular de oftalmologia da USP (Universidade de São Paulo).
De acordo com José, os mutirões evitam a burocracia do atendimento de rotina. As pessoas que vêm ao hospital são atendidas, disse.
Os hospitais, embora trabalhem fora da carga horária, também saem ganhando com os mutirões. Os médicos ainda em treinamento ganham experiência maior na área. As campanhas colocam todos os médicos em contato com a realidade, afirmou.
Segundo Serra, equipamentos mais avançados já estão na lista de compras do ministério. O mutirão acaba com o déficit. É uma forma de fazer o sistema funcionar melhor. Isso não resolve a falta de estrutura, mas otimiza a existente, disse o ministro.


