Mutirão quer definir destino de crianças
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Michelle Aligleri<BR. Reportagem Local 
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou neste ano que seja agilizada a definição do futuro das crianças que estão em abrigos filantrópicos ou governamentais. A primeira Audiência Compartilhada do Paraná para este fim foi realizada ontem em Londrina.
Segundo a promotora da vara da Infância e da Juventude, Édina de Paula, o objetivo do trabalho é dar encaminhamento às crianças que estão nos abrigos. ''A nossa prioridade é devolver essas crianças para as famílias. Pode ser para os pais ou para os avós, tios ou irmãos que têm possibilidade de recebê-las. Quando isso não é possível, elas são encaminhadas para a adoção, mas esta é uma decisão tomada em conjunto com os responsáveis.''
Ela acrescentou que existem famílias que se acomodam com as crianças no abrigo e não se mobilizam para receber as crianças de volta. ''Vemos que alguns pais não fazem o mínimo esforço para tirar as crianças do abrigo. Há famílias que não estão preocupadas com as crianças mas também não querem encaminhar para a adoção. É esta situação que queremos mudar.''
As audiências serão realizadas até o final de outubro em Londrina e a equipe que une poder judiciário e executivo vai passar por todos os abrigos da cidade. Ao todo, 167 crianças moram em abrigos em Londrina, de acordo com a promotora, os casos estão sendo estudados individualmente e serão analisados em audiência. ''De acordo com a resolução do CNJ, essas audiências precisam ser realizadas a cada seis meses em cada abrigo. Para facilitar o retorno ao lar, a família que recebe a criança de volta é amparada psicologicamente antes e após a chegada da criança, durante o tempo necessário para adaptação'', afirmou.
Na tarde de ontem a audiência foi realizada no abrigo ''Casa de Maria'', onde seis casos foram analisados e nem todas as famílias demonstraram interesse em retomar a guarda. Uma das mães atendidas vai contar com o apoio da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) e deve receber uma casa dentro de seis meses, com espaço adequado para receber os quatro filhos que estão no abrigo. Outra família recebeu prazo de um mês para se organizar antes de ir buscar as duas crianças. Cada família foi orientada conforme as necessidades individuais e os programas de apoio do município.


