Mutirão ouve acusados de violência contra a mulher
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domingo, 01 de dezembro de 2013
Mariana Franco Ramos<br> Reportagem Local 
Curitiba - Um mutirão realizado ontem na Delegacia da Mulher de Curitiba ouviu depoimentos de aproximadamente 200 homens acusados de agredir suas esposas ou companheiras. A ação, que começou por volta de 9h e durou até as 18h, faz parte da campanha dos "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher".
De acordo com a delegada responsável, Márcia Vieira Rejane Marcondes, o objetivo é agilizar o trâmite de alguns dos mais de oito mil processos já abertos na capital devido a esse tipo de crime, desde a criação da Delegacia da Mulher. "Queremos demonstrar, por meio de um esforço concentrado, que a violência contra a mulher não fica mais entre quatro paredes. É punida sim", afirma. Ela estima que sejam instaurados na cidade, em média, 280 inquéritos por mês, sendo 40% deles por injúria ou ameaça, e 20% por lesão corporal. Há ainda registros de violência doméstica e sexual.
No total, 37 pessoas, de duas divisões da Polícia Civil, foram deslocadas para trabalhar no mutirão, incluindo quatro delegados, 19 escrivães, sete estagiários e sete investigadores. "Depois desta fase, os delegados irão analisar os casos e produzir os relatórios, para encaminhá-los ao Ministério Público (MP)", explicou a delegada. Por conta da grande demanda, Márcia revela que os procedimentos abertos de setembro a novembro deste ano foram priorizados. Segundo o Código Penal, a pena para casos de lesão corporal varia de três meses a cinco anos, dependendo da gravidade.
Campanha
A coordenadora das Delegacias da Mulher do Paraná, Paula Brisola, admitiu que os índices de violência no Estado aumentaram nos últimos anos. No entanto, atribuiu o crescimento ao fato de as pessoas estarem denunciando mais. "A população hoje conhece os seus direitos, existe a Lei Maria da Penha, e os órgãos públicos também estão mais estruturados". Ela lembra que hoje o Estado possui 16 delegacias da mulher.
Liderados por movimentos feministas e entidades governamentais do mundo todo, os 16 dias de ativismo começaram na última segunda-feira, Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, e prosseguem até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.


