Mutirão no Marco Zero recolhe três caminhões de lixo
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de maio de 2015
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - Um trabalho em conjunto que resultou na retirada de três caminhões de lixo. Pelo menos ontem pela manhã, o entorno da mata do Marco Zero, na zona leste de Londrina, ganhou uma nova "cara". Em vez da movimentação de usuários de drogas e moradores de rua, o local foi ocupado por voluntários e agentes das secretarias de Saúde, Assistência Social e Defesa Social e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
O mutirão teve a missão de limpar uma área de 39 mil metros quadrados, retirando resíduos e objetos que possam servir para a proliferação de doenças. O fato da região da Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila Fraternidade apresentar um índice de 4,17% de foco do Aedes aegypti, o objetivo principal era eliminar os possíveis criadouros do mosquito.
O índice foi apontado em abril, no último Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa), onde a área central também se destacou com 4,46%. A agente de endemias Giselia Bitencort revela que o local é constantemente vistoriado e que em cada visita são encontrados cerca de 20 focos do mosquito.
Porém, a ideia desse mutirão não era localizar as larvas do Aedes aegypti, mas eliminar possíveis criadouros. Entre muitas garrafas de plásticos, roupas, latas e isqueiros, o que também chamou a atenção dos voluntários foi o número de caramujos africanos.
Se o molusco estiver contaminado, pode causar angiostrongilíase abdominal e meningoencefálica. São doenças em que o parasita se instala no intestino (abdominal) e nas meninges e cérebro. Ambas, em quadros mais graves, podem levar à morte. Já o Aedes aegypti vem ganhando ainda mais atenção porque, além da dengue, pode transmitir a Zika, febre amarela e Chikungunya.
Adilson Rodrigues da Silva, que mora ao lado da mata com esposa e filha pequena, acordou cedo para colaborar. "A gente passa todos os dias por aqui e vê um monte de sujeira. É um lugar abandonado", disse.
Quem também conhece muito bem o local é Márcio Eduardo da Silva, coordenador do projeto Casa Verde, que acolhe usuários de drogas e pessoas em situação de rua. "As pessoas entram na mata para usar drogas e levam muito lixo. Aqui virou um mocó", afirmou. Silva conseguiu reunir cerca de 40 voluntários.
Uma equipe de abordagem social do Sinal Verde esteve no local e conversou com uma família indígena e um jovem que estavam na área. Eles foram orientados quanto aos serviços de apoio disponíveis.
Essa é a primeira vez que o poder público e sociedade se unem para realizar a limpeza do Marco Zero. E se depender do volume de lixo retirado de lá, mutirões como esse serão sempre uma boa iniciativa.


