Curitiba- Cerca de 400 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vindos de diversas partes do Paraná chegaram ontem em Curitiba. Eles participam do mutirão de debates dos movimentos sociais sobre a reforma agrária e a crise econômica. Com o lema ''Trabalhadores e trabalhadoras não pagarão pela crise'' eles realizaram ontem um ato público na Boca Maldita, centro de Curitiba, como forma de sensibilizar a população para estes temas. Após a manifestação eles se dirigiram para diversos bairros da cidade onde realizaram debates com lideranças sociais locais.

O mutirão foi planejado há dois anos e reuniu na capital duas colunas de marcha que vieram das regiões norte, saída de Porecatu (85 km ao norte de Londrina), e Oeste, vinda de Foz do Iguaçu. Os manifestantes enfrentaram uma caminhada de 15 dias, período em que promoveram debates com a população das cidades do interior do Estado por onde passaram.

Segundo Eliane Marchioro, integrante da Via Campesina (uma das entidades que compõe o movimento), a acolhida do mutirão foi positiva. ''Não tivemos nenhum espaço onde não pudemos entrar'', afirmou. Foram promovidos debates em associações de moradores, sindicatos, e outros espaços coletivos, onde foram apresentadas causas, consequências e alternativas à crise econômica mundial. Na opinião de Marchioro, a crise é fruto da atual organização do capital. ''Hoje o lucro da produção fica com os intermediários'', critica.

Os integrantes do mutirão permanecerão em Curitiba até domingo, hospedando nas residências de moradores de bairros carentes da região. De acordo com Marchioro, a reforma agrária seria uma forma de reduzir a violência das cidades. ''Com mais famílias indo para a região rural, o espaço urbano teria mais condições para fornecer a assistência social devida'', diz. Segundo ela, o objetivo do mutirão não é levar propostas para o governo, mas o debate à sociedade. ''Estamos plantando uma sementinha'', compara.

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