O berimbau, o atabaque e o pandeiro deram o tom do mutirão de limpeza para combate aos focos do mosquito Aedes aegypti, realizado ontem de manhã, no Bosque Central, em Londrina. Cerca de 30 membros dos grupos de capoeira Farol da Ilha, Capoginga e Senzala percorreram as trilhas do espaço de lazer recolhendo todo tipo de objeto que pudesse servir de criadouro ao mosquito transmissor da dengue, zika e febre chicungunya.

A ação faz parte do Projeto Capoeira Arte Limpa, do Grupo Farol da Ilha, e marca os 30 anos de capoeira de Reginaldo Barbosa de Jesus, o mestre Farinha. "A gente trabalha a capoeira de outra forma. Esse mutirão é uma maneira de conscientizar as pessoas sobre a importância de levar a capoeira para o lado do bem", disse ele. "Ninguém fez esse trabalho ainda aqui no Bosque e a gente acredita que tenham muitos focos do mosquito aqui."

Com luvas descartáveis e sacos de lixo na mão, os capoeiristas coletaram, em cerca de meia hora de trabalho, garrafas, copos, latas e até camisinhas. "Acho muito importante esse mutirão porque estamos trabalhando em prol da comunidade. Com essa limpeza, podemos incentivar as pessoas até a limparem o próprio quintal", afirmou Wilson Vitor de Oliveira, o mestre Índio do Santo Amaro, do Grupo Capoginga.

Em meio aos capoeiristas, algumas crianças demonstravam estar atentas ao problema da dengue. Danilo Ramos, de 10 anos, é morador do Jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste) e pratica capoeira há dois anos. Nesse tempo, reconhece que a atividade o ajudou a ser mais educado e disciplinado, principalmente em sala de aula. O aprendizado nas rodas de capoeira, disse ele, também é útil na hora de combater a dengue.

"Quem deixa lixo no quintal ou joga lixo na rua não tem educação. É importante manter tudo limpo porque a dengue é perigosa até para quem não cuida da limpeza. Minha avó já teve dengue. De vez em quando eu olho o quintal da minha casa para ver se não tem lixo. Na escola também já participei de uma atividade. Saímos para inspecionar os quintais dos vizinhos", contou o garoto.

"Tomara que eu consiga conscientizar as pessoas com esse mutirão. Tem muita dengue na cidade e é preciso acabar com o mosquito", disse Daniel Rocha Lopes, de 10 anos, e capoeirista há "alguns meses". "Eu espero que as pessoas tomem consciência e comecem a coletar o lixo no seu quintal", reforçou Thiago Henrique Ferreira da Silva, de 10 anos.

O mutirão foi encerrado com uma roda de capoeira em frente a Catedral de Londrina.
Em Londrina, segundo relatório divulgado pela Secretaria de Saúde no dia 20, neste ano foram registradas 9,9 mil notificações, que resultaram em 2.581 casos confirmados e 2.277 descartados. Outros 5.042 casos estão em andamento, aguardando resultados de exames laboratoriais.

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