Curitiba – O mutirão carcerário promovido pela Secretaria Estadual da Justiça vai abrir 153 vagas no sistema penitenciário de Londrina. O objetivo da medida é desafogar as carceragens dos distritos policiais da cidade. As transferências para outras unidades do Estado ou para o regime semiaberto começam hoje. Na sequência, a Polícia Civil poderá levar presos das delegacias para as unidades 1 e 2 da Penitenciária Estadual de Londrina.
O Poder Judiciário fez a análise dos processos de 300 detentos. Deste total, 124 tiveram progressão de pena do regime fechado para o semiaberto, outros 19 receberam alvará de soltura para o regime aberto ou livramento condicional e 10 receberam indulto.
Parte dos detentos beneficiados com a progressão de regime será encaminhada para o Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon), antiga carceragem do 2º Distrito Policial, na zona leste. Outros serão levados para a Colônia Penal Industrial de Maringá (CPIM) e para a Colônia Penal Agroindustrial (CPA), em Piraquara, na Grande Curitiba.
Segundo a Seju, a quantidade de presos nas carceragens das delegacias da cidade vai cair de 322 para 169. Ainda assim, os estabelecimentos ficarão com 80 detentos a mais do que a capacidade. "Sabemos que a região de Londrina está com a situação mais grave. Os presos serão realocados conforme determinação da Polícia Civil, que vai analisar a situação de cada distrito policial da cidade. Além disso, aqueles que já foram condenados e os que estão há mais tempo nas carceragens deverão ser transferidos", destacou Maurício Kuehne, diretor do Departamento de Execuções Penais (Depen) da Seju.
Outra medida anunciada é a guarda compartilhada de delegacias entre a Seju e a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp). Além disso, várias cidades vão receber novos agentes carcerários para atuar nas cadeias públicas. "Com isso, os policiais civis vão poder voltar a desempenhar o papel de investigador. Aos poucos as determinações estão sendo cumpridas e esperamos que, em até 60 dias, possamos incorporar à Seju entre 6 mil e 6,5 mil presos que permanecem sob responsabilidade da Sesp", apontou Kuehne.
Para o delegado adjunto da 10ª Subdivisão Policial, Manoel Pelisson, as medidas são "paliativas", mas terão "efeito positivo" à medida que contribui para reduzir a superlotação nos distritos policiais de Londrina. "O grande problema é que a estrutura prisional continuou a mesma, defasada, enquanto a população cresceu nos últimos anos. Pela primeira vez algumas medidas estão sendo tomadas para tentar resolver o problema e isso é extremamente positivo", apontou.
As carceragens do 4º e do 5º distritos policiais, as únicas que abrigam homens em Londrina, têm juntas capacidade para 48 internos, mas estão com 218. O deficit é de 170 vagas.
Pelisson ressalta que com as futuras obras de ampliação e construção de novas unidades prisionais a sobrecarga nas carceragens deve diminuir ainda mais. "'Por enquanto sentimos um alívio, mas outras prisões são cumpridas diariamente, então sempre vamos necessitar de vagas. Por isso a importância destas novas unidades para absorver o deficit existente", completou.

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