Mutilações para fraudar seguros são prática conhecida
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sábado, 09 de outubro de 1999
Por Cley Scholz 
São Paulo, 9 (AE) - Mutilar o próprio corpo para receber o dinheiro do seguro, como fez o gerente de vendas Sebastião José Rodrigues - que cortou a mão e parte do antebraço depois de comprar três apólices - é uma prática que vem merecendo a atenção das seguradoras. As empresas calculam que 20% dos casos de reclamação de segurados são fraudes ou tentativas de fraude. "O índice cresce em tempos de crise", comenta Valter Hime, vice-presidente de Seguros Pessoais da Real Seguros.
As fraudes, segundo ele, ocorrem principalmente no segmento de veículos e seguro-saúde. Mas há vários outros casos de fraude em seguros de vida. Os segurados simulam acidentes e chegam a cortar a mão ou os dedos e até a se matar.
Em 1996, um paulista enforcou-se para tentar beneficiar sua família com a indenização, desconhecendo o fato de que os suicídios não são passíveis de indenização. Em Belo Horizonte, um segurado responde a processo por estelionato: ele cortou quatro dedos da mão esquerda depois de ter comprado dez apólices. No interior de Minas, também foi registrado o caso de um comerciante endividado que cortou os próprios dedos da mão esquerda.
"Geralmente esse tipo de fraude ocorre com a mão esquerda", comenta Hime, da Real Seguros. "As pessoas não sabem que as seguradoras têm profissionais para investigar casos suspeitos."
Ele conta que as investigações nem sempre são bem aceitas por familiares de segurados, principalmente em casos de morte. Recentemente, a seguradora descobriu no Rio de Janeiro um caso de falso óbito. O segurado simulou a própria morte e comprou um cadáver para ser enterrado em seu lugar.
Na área da saúde, um segurado acabou enfrentando problemas ao internar a amante com a carteira de saúde da esposa. A seguradora enviou um cartão de felicitações pelo nascimento do bebê para a casa do segurado, o que chamou a atenção da mulher. Ele não recebeu o dinheiro e arruinou o casamento.


