Mutilação preocupa possíveis doadores
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quarta-feira, 07 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
Dida Sampaio/AE
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Reação surpreendeO ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, dá entrevista em seu gabinete: Concluímos que é preciso esclarecer melhor o brasileiro sobre a leiAs dúvidas sobre a nova lei de transplantes elevaram de 300 para mil o número de ligações diárias sobre o assunto no serviço Disque-Saúde (0800-611997) do Ministério da Saúde. A possibilidade da mutilação é o principal medo de homens e mulheres. Os usuários do serviço têm, em geral, entre 15 e 29 anos e apenas o 1º grau completo. Surpreendido com as reações negativas à lei, o ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, prometeu para a próxima semana o início de campanhas de esclarecimento.
Até agora, vínhamos trabalhando com a promoção da doação, mas concluímos que é preciso também esclarecer melhor o brasileiro sobre a lei, admitiu ontem o ministro. Segundo ele, o governo vinha se baseando em pesquisa realizada no ano passado, pela qual quase 80% dos cerca de 3 mil entrevistados se disseram favoráveis à lei. Mas ficamos surpresos com a reação do grupo de exceção, disse Albuquerque. Não há prazo para a permanência das campanhas nos meios de comunicação. Vamos acompanhar e continuar até que a legislação esteja suficientemente clara.
Em filmes para a televisão e spots para rádios, médicos e especialistas tentarão esclarecer dúvidas dos brasileiros, entre elas, como o hospital vai detectar a morte cerebral, e que procedimentos serão adotados para impedir que pessoas ainda com chances de vida tenham seus órgãos retirados. É difícil para o brasileiro também entender como a pessoa pode ser considerada com morte cerebral se seu coração continua batendo, explicou Ellen Awer, coordenadora do Disque-Saúde.
O ministro já convidou, para fazer parte das campanhas, o presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, Walter Garcia, e o presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia, João Moreira. Hoje, eles definem novos nomes, em uma reunião com o secretário de Assistência à Saúde, Antônio Werneck, e a agência de propaganda do governo, a DM-9.
O ministro também adiantou ontem que pretende tornar o mais conhecido possível o sistema de transplantes, inclusive com a divulgação na Internet das listas únicas de candidatos a recebimento de órgãos por Estado. O nome só não constará se o paciente se recusar.


