Mutilação genital está se globalizando
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sexta-feira, 25 de novembro de 2005
France Presse 
Cairo - A mutilação genital feminina, que consiste na remoção do clitóris e os lábios menores da vulva, é um fenômeno em vias de se tornar global e que afeta milhões de mulheres na África, Oriente Médio e comunidades de imigrantes no Ocidente, de acordo com um estudo publicado ontem pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef).
''A incisão afeta muito mais mulheres do que o estimado anteriormente'', destaca a agência da ONU para a Infância em um estudo sem precedentes sobre Mutilações Genitais Femininas (MGF).
Três milhões de mulheres são vítimas anualmente da mutilação genital no continente africano, destaca um comunicado do Unicef. Entre 100 e 140 milhões de mulheres no mundo sofreram uma mutilação sexual de diferentes modos, de acordo com o relatório.
A prática da mutilação genital, extremamente vinculada à procedência étnica, parece diminuir em alguns países (Benin, Burkina Fasso, Nigéria e Iêmen), mas permanece estável em outros como a Costa do Marfim, Egito, Níger e Sudão.
O relatório, fruto de dois anos de trabalhos das agências da ONU e de organismos locais, anuncia que este tipo de mutilação está se globalizando. A mutilação é mais forte no continente africano, mesmo que também esteja sendo praticada no Oriente Médio e em comunidades de imigrantes no Ocidente (Europa Ocidental, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia).
Segundo os países e as tradições locais, as mutilações genitais femininas variam e envolvem desde um corte no clitóris até a retirada total das partes genitais externas e a sutura da vulva. ''Esta prática constitui uma violação do direito das meninas e das mulheres à integridade física, atenta contra sua liberdade e é uma forma extrema de violência e discriminação'', de acordo com o Unicef.
A mutilação está proibida por legislações nacionais de inúmeros países africanos e do Oriente Médio e é condenada pela Convenção Internacional sobre os direitos da criança.
O texto recorda que nenhuma religião prescreve a prática, mesmo que muitas vezes se associem motivos religiosos para a sua execução. O fato de ser uma norma social profundamente arraigada em algumas sociedades dificulta a solução do problema, pois as famílias que não cumprem o ritual poderiam se ver marginalizadas em suas comunidades.


