Mutilação foi para provar que compositor não estava envolvido
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domingo, 21 de março de 1999
Por Edson Luiz 
Goiânia, 22 (AE) - Os sequestradores cortaram a orelha de Wellington Camargo para provar que o compositor não estava envolvido no caso. A informação foi dada por Emanuel Camargo, irmão de Wellington e encarregado das negociações. "A parte da orelha foi uma prova enviada pelos sequestradores para dizer que Wellington não fazia parte do sequestro", afirmou Emanuel, que acusou uma revista de levantar a possibilidade de envolvimento da família
A reportagem teria sido divulgada pela imprensa local. Segundo Emanuel, o grupo tinha acesso a todas as informações da imprensa, até mesmo pela Internet. Emanuel disse que a decisão de mandar uma parte do corpo do compositor foi tomada uma semana antes da libertação, depois que a imprensa começou a levantar a possibilidade de um auto-sequestro.
A possibilidade de pessoas da família terem participação do sequestro nunca foi descartada pela dupla Zezé di Camargo e Luciano, irmãos da vítima, e pela polícia. Segundo um delegado que participava do caso, muitas informações dadas aos familiares foram repassadas ao bando. Uma delas falsa foi divulgada pelos policiais para comprovar se havia o envolvimento. A polícia não confirmou se a informação foi utilizada pela quadrilha.
A intenção do bando era cortar toda a orelha esquerda de Wellington Camargo, mas ele pediu que não fizessem isso e os sequestradores o atenderam. A mutilação ocorreu na madrugada de sábado (13), poucas horas antes de enviarem o pedaço a orelha a uma emissora de televisão. Segundo médicos que atenderam o compositor, o corte foi feito com faca, sem anestesia e atingiu pelo menos dois terços da orelha, que pode ser reconstituida.
"Eles só passaram álcool", afirmou a cirurgiã plástica Míriam Castro Davini, que vai reconstituir a orelha de Wellington. Para que o sangramento estancasse, os sequestradores colocaram borra de café e açúcar no ferimento. Wellington foi amarrado com uma corda para não reagir durante a mutilação. Ele ficou sem cuidados médicos até domingo, quando foi libertado e encontrado por um motoqueiro numa estrada vicinal.


