Florianópolis, 12 (AE) - A relação de mortos no acidente entre Pouso Redondo e Curitibanos, na BR 470, só será divulgada pelo governo catarinense e o consulado argentino em Florianópolis após a identificação de todos os corpos no Instituto Médico Legal de Rio do Sul. Não há previsão de quando o trabalho estará concluído. A Secretaria de Segurança Pública, a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal montaram uma grande operação para acelerar a identificação, mas a mutilação dos corpos dificulta o trabalho.
Cerca de 100 argentinos desembarcaram hoje, às 16h, no aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, para auxiliar o governo catarinense na identificação e localizar os parentes feridos. O choque do ônibus argentino, placa RYA-277, procedente da província de Tucumán, com o ônibus da empresa Reunidas, LZY-3730, de Caçador, foi tão violento que o ônibus argentino partiu-se ao meio e seu teto foi arrancado.
Dois aviões da FAB pousaram no aeroporto de Navegantes para fazer o transporte para a Argentina dos mortos e feridos. Eles foram colocados à disposição pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Defesa, Élcio Alvares, está coordenando as ações de auxílio ao governo catarinense. A argentina também mandou dois aviões.
"Serãofeitas quantas viagens forem necessárias", disse o secretário estadual da Casa Civil, Celestino Secco. De acordo com Secco, o governo catarinense vai arcar com todas despesas das vítimas do acidente, como transporte, funerais e atendimento médico. A gravidade do acidente obrigou o governo a montar uma operação de emergência com o envio de ambulâncias e helicópteros para o local e municípios mais próximos."Transferirimos técnicos do Instituto Médico Legal de Joinville, Florianópolis e Blumenau para o IML de Rio do Sul,", disse o secretário.
Embalsamar - O governo também decidiu que todos os corpos serão embalsamados porque faltou estrutura técnica e material para atender um número tão grande de vítimas. Os corpos , a maior parte mutilada, chegaram em uma caçamba e foram colocados em uma área aberta, coberta apenas por um toldo, mas exposta à temperatura ambiente."Tivemos dificuldade em encontrar uma câmara fria", disse o secretário.
Testemunhas e o comandante da Polícia Militar catarinense, coronel Valmor Backes, garantem que o motorista do ônibus argentino entrou na curva em "alta velocidade", perdeu o controle, bateu na lateral de um penhasco, veio arrastando, entrou na contramão e atingiu o ônibus brasileiro. O teto do ônibus argentino foi completamente arrancado.
O local onde ocorreu o choque entre os ônibus é considerado um dos pontos mais perigosos da BR-470. A forte neblina no local na hora do acidente também contribuiu para agravar a situação. Os moradores da região ajudaram no socorro dos feridos.