Washington, 23 (AE) - O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michael Mussa, descartou nesta quinta-feira (23) como "absurdas" as previsões do setor privado sobre a crise no Equador e suas consequências.
Segundo ele, a situação desse pequeno país é única, e não pode ser comparada com a da Rússia, nem deve minar a confiança dos investidores no resto da América Latina.
Apesar de não ter peso econômico nem estratégico, o Equador é um dos temas de discussão e divergência entre o FMI e o setor privado. Os banqueiros têm criticado o Fundo e o governo dos Estados Unidos, que segundo eles está apoiando a renegociação dos títulos de dívida externa (bônus Brady) do pequeno país sul-americano.
Se os equatorianos deixarem de honrar seus compromissos, insistem, destruirão a confiança dos investidores em outras 19 economias emergentes - entre elas a do Brasil - que também tem bônus Brady.
"Sempre existem alarmistas do mercado", disse Mussa. Segundo ele, não existe risco de que outros países sigam o exemplo do Equador porque este é um caso único. "Nenhum outro está numa situação tão difícil e sem condições de pagar", explicou.
No último dia 28, venceram US$ 94 milhões em títulos de dívida externa (bônus Brady) equatorianos. Alegando não ter recursos para honrar seus compromissos, o governo pediu apoio do Fundo e do Bando Mundial (Bird) para evitar um calote.
Além de obter uma extensão de 30 dias no pagamento de suas obrigações (algo previsto no contrato com os credores), o Equador também fechou um acordo com o FMI e o Bird, pelo qual receberia um crédito de US$ 400 milhões até o fim do próximo ano
sempre e quando aprove um duro programa de ajuste fiscal.
O FMI também está incentivando o governo equatoriano a negociar com os bancos privados fórmulas para aliviar o serviço de sua dívida externa. "É preciso que se entenda que os bônus não são sagrados", concluiu Mussa.

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