Músico confessa ter matado mãe adotiva
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quinta-feira, 19 de novembro de 1998
Agência Folha 
O músico Márcio Akira Kajiwara, 25 anos, confessou ontem ter matado, queimado e colocado numa mala a mãe adotiva, a aposentada Maria José Kajiwara, 66 anos, em Campo Grande (MS). Márcio, em entrevista coletiva, afirmou ter matado Maria José com um golpe de martelo na nuca, enquanto ela lavava louça no início da noite de segunda-feira.
Ele disse que saiu para comprar um litro de álcool, arrastou o corpo para uma telha de zinco e, após queimar o corpo, Márcio o colocou numa mala e a jogou num terreno baldio, a cerca de 200 metros da casa. A mala com o corpo foi achada horas depois por um vigia noturno.
Márcio afirmou que o motivo do crime foi o temor de que sua mãe perdesse a casa em que moravam, avaliada em R$ 60 mil. A casa estava penhorada pela Justiça porque Maria José foi avalista de um rapaz que deixou uma dívida de aluguel no valor de R$ 3 mil.
O músico definiu a idéia de matar a mãe como confusa. Foi um surto psicótico, uma coisa demoníaca, declarou. Depois de deixar a mala no terreno baldio, ele raspou a cabeça e foi para Terenos (26 km de Campo Grande) de ônibus, onde foi preso por volta das 4h30.
O acusado disse à imprensa que fala francês, espanhol e, com dificuldade, inglês, e não terminou a faculdade de administração. Ele ganhava cerca de R$ 220 mensais dando aulas de matemática e línguas, além de tocar baixo numa banda de rock chamada Os Moscas.
O músico declarou à imprensa ser homossexual e usuário de drogas, o que teria gerado atritos com sua mãe adotiva. Márcio afirmou que, aos 16 anos, tentou o suicídio, ingerindo veneno para rato. Ele não conhece seus verdadeiros pais. O pai adotivo separou-se em 93 e hoje vive no Japão. Desde então, ele passou a morar sozinho com a mãe. Eu queria poder voltar no tempo. Estou arrependido. Ontem chorei o dia inteiro, declarou.


