Música para os ouvidos
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
Londrina- Que música marcou a sua vida? Quais foram as primeiras palavras que seu filho falou? Que barulho foi esse? O que o apresentador de TV falou no programa de ontem? A resposta para todas essas questões envolve a audição, um dos sentidos que a maioria da população possui, mas que para alguns é conquistada depois de um trabalho árduo. Londrina recebeu na sexta-feira (dia 9) o Encontro de Implantados de Próteses Auditivas do Norte do Paraná. O evento reuniu pessoas que já receberam ou as que pretendem receber próteses auditivas. Uma das mais conhecidas é a de implante coclear, conhecido por ''ouvido biônico''.
O implante coclear é indicado em casos severos e profundos de deficiência auditiva e substitui a função da cóclea, órgão do ouvido que codifica os sons. Por meio dele os sinais sonoros são transformados em impulsos elétricos que são ligados aos nervos auditivos. Esses nervos detectam os sinais e os transformam na audição. O implante coclear possui uma parte do dispositivo colocada cirurgicamente e a outra parte fica exposta atrás da orelha, como os aparelhos amplificadores para quem possui perda parcial da audição.
O adolescente Anderson Bruno Bigeti, de 15 anos, foi a segunda pessoa a receber o implante coclear em Londrina. Como o caso dele foi pré-lingual, ou seja, a deficiência auditiva foi anterior ao desenvolvimento da fala, a área do cérebro relacionada à audição ainda precisa ser estimulada para que seja desenvolvida, destaca o médico que realizou a cirurgia, Orley Ferraz. Bigeti conversou com a reportagem com o auxílio de sua mãe como intérprete da linguagem de sinais. Ele relatou que ainda está em fase de adaptação e está se acostumando com o aparelho.
Bigeti relata que um dos primeiros sons que o surpreendeu foi o da água escorrendo e batendo na pia. ''Mas o que mais queria era ouvir a voz das pessoas de minha família'', relata. Ele conta que no começo foi tudo muito confuso, pois se em um mesmo ambiente houvesse muitas mulheres conversando, ele não conseguia distinguir direito quem estava falando o quê. Bigeti relata que quer aprender a falar como um ouvinte natural, e que já aprendeu a falar algumas palavras. Recentemente ele estava em uma reunião da igreja e gritou o nome do amigo em voz alta, o que surpreendeu a fonoaudióloga dele, que estava presente. Questionado sobre qual o som que mais gosta de ouvir depois que recebeu o implante, ele diz que é a música. ''Eu gosto de ouvir o som da bateria e do violão que saem das músicas de louvor'', declara.
A jovem Carolina Mayumi Yamashita, de 10 anos, foi a primeira londrinense a receber um implante coclear, quando ainda tinha três anos de idade. Sua mãe, Helena Senis, 43 anos, relata que quando Carolina nasceu o teste da orelhinha ainda não era muito divulgado para detectar se havia deficiência auditiva, mas como aos sete meses a garota ainda não tinha desenvolvido a fala, começou a realizar os exames. ''Na época eu levei ela para Bauru para realizar a cirurgia'', revela. Atualmente Carolina destaca que sua vida é normal e que nem se recorda como era antes de receber o aparelho.
A empresária Cristina Mayorquin Romeiro, de 51 anos, já possui um implante coclear em um dos ouvidos e se prepara para receber uma nova prótese no outro ouvido no início do ano que vem. ''Esse implante foi fundamental para que eu levasse uma vida ativa. Eu usei o aparelho auditivo normal durante muito tempo, mas devido à minha perda auditiva de origem hereditária já não estava mais escutando nada e o implante me permitiu que eu voltasse a escutar normalmente'', relata. Ela destaca que o som é meio metálico, mas o benefício compensa qualquer coisa. ''A melhor coisa foi voltar a conversar normalmente, sem que a outra pessoa precise repetir a toda hora'', destaca. A empresária conta que até evitava sair de casa para não passar por situações desse tipo.


