Música e papéis dividem o mesmo espaço
Um músico de Foz do Iguaçu prepara músicas para a trilha sonora de um documentário que está sendo produzido no Rio de Janeiro pelo cineasta Luiz Carlos Prestes Filho, em homenagem ao líder revolucionário pernambucano Gregório Bezerra.
José Alexandre Saraiva, que além de compositor é também jornalista e procurador-seccional da Fazenda nacional, já criou a música-tema em parceria com o repentista Oliveira Francisco de Melo. A escolha do diretor pela nosso trabalho não foi por acaso. Eu e Oliveira somos de Panelas, a mesma cidade pernambucana onde nasceu Gregório, informa Saraiva, explicando também que o arranjador da canção é o maestro Gio Amaral, que vive em Curitiba.
O filme de Prestes Filho fala sobre um dos grandes mártires brasileiros, responsável juntamente com Francisco Julião pelas Ligas Camponesas, movimento que insurgiu contra os latifúndios do sertão nordestino em 1955 e incluiu na história mais uma página sobre a luta dos pequenos agricultores do Brasil pela conquista da terra (leia texto nesta página).
A canção composta pela dupla passou por uma intensa fase de pesquisa e ganhou o nome de Ferro e Flor, baseado em um poema de Ferreira Gullar (História de um Valente), escrito em homenagem ao líder rebelde. As fontes e influências começaram no Hino Nacional Brasileiro e passaram pelas imagens do agreste, pelo sons que faço na sanfona em algumas músicas do meu primeiro CD, comenta Savaiva, referindo-se ao disco Lamento da Asa Branca, vencedora na categoria Composição do Concurso Internacional da Academia Internacional de Lutéce em Paris, no ano de 1998.
O procurador já escreveu dois livros e dezenas de contos e crônicas para jornais, revistas e concursos. Ele ainda mantém colunas informativas sobre Direito Tributário em jornais diários.
A Folha também conversou por telefone com Oliveira de Panelas, como o repentista Oliveira Francisco de Melo gosta de ser chamado. Enquanto acompanhava a montagem do memorial ao herói na cidade onde nasceu, ele comentou sobre as composições dizendo que estavam fluindo naturalmente da parceria, justamente por terem as mesmas referências e principalmente o mesmo orgulho do líder sertanejo. Acho Gregório uma idéia universal, assim como Gandhi, Lênin e Guevara. São pessoas que libertaram as idéias de suas mentes e que agora inspiram as novas gerações, diz o repentista, que possui sete livros editados e 11 discos gravados.
O término do documentário está previsto para o segundo semestre deste ano, período em que acontecerá também a inauguração do memorial, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. As obras marcam o centenário do nascimento de Gregório Bezerra.





