Entusiasmados, alunos do curso de Desenho Industrial começam a trabalhar no projeto
Entusiasmados, alunos do curso de Desenho Industrial começam a trabalhar no projeto | Foto: Gustavo Carneiro



Após quase duas décadas de abandono, a locomotiva manobreira La Meuse 101 poderá ser restaurada. Na manhã deste sábado (1º), uma equipe formada por professores e alunos da Unopar e do Senai foram até o Museu Histórico de Londrina, onde a máquina belga de 1905 está instalada desde novembro do ano passado, para elaborar um levantamento. A peça ferroviária que permaneceu no pátio do Pronto Atendimento Infantil (PAI) desde 1998, quando chegou a Londrina, carrega várias marcas de vandalismo.

O professor Marcos Bernardo de Lima, da Faculdade Senai, informou que a parceria com o Museu Histórico começou em 2011, com o estudo para o restauro da composição da locomotiva Baldwin e outras três peças: o tender, que armazenava combustível e água para a locomotiva a vapor, além de dois vagões. "Novamente estamos com o desafio de resgatar a memória ferroviária da região por meio do restauro. Agora, vamos mapear toda a máquina, inclusive com escaneamento em três dimensões", detalhou. Os alunos fizeram medições e análise dos estragos, como corrosões, pichações e até furto de peças.

O projeto terá a participação de voluntários dos cursos superiores de Fabricação Mecânica e Manutenção Industrial (Faculdade Senai) e curso superior de Desenho Industrial (Unopar) que serão assessorados por docentes das duas instituições. Para Edson Vieira, professor do curso de Fotografia da Unopar, a experiência vai acrescentar muito ao currículo dos alunos. "Aqui eles vão ter contato com o projeto na prática, pois poderão acompanhar todas as fases. Isso dá uma noção de gestão e enriquece a formação deles", comentou.

Ranieri Pavanato e Caio Kawasaki, alunos do curso de Desenho Industrial da Unopar, se empolgaram com a experiência. "É um projeto muito legal porque ao mesmo tempo em que deixamos uma contribuição histórica para a cidade, também temos a chance de ter contato com esse projeto bem de perto", comentou Kawasaki. "É um aprendizado coletivo. Vamos colocar em prática o que aprendemos e trocar experiências com estudantes de outras áreas", pontuou Pavanato.

A curadora do Museu Histórico de Londrina, Regina Alegro, disse que a manobreira é uma peça de fundamental valor histórico para o acervo ferroviário do município. "Sem a ferrovia, o Norte do Paraná não teria a configuração que tem hoje. O trem era a nossa comunicação com o restante do mundo", enfatizou. Segundo Regina, após a fase de estudos e levantamentos, a Universidade Estadual de Londrina (UEL), mantenedora do museu, deve buscar recursos para o projeto. "O restauro não é barato; então, será preciso conseguir parceiros para a viabilização".

IMPASSE
O restauro e a própria permanência da manobreira em Londrina, no entanto, dependem da resolução de um impasse. Em 2014, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) solicitou junto ao Ministério Público Federal a remoção da locomotiva para Curitiba. O superintendente do Iphan no Paraná, José Luiz Lautert, informou que a máquina pertencia à rede de Curitiba e que nunca rodou em Londrina. "A discussão ultrapassou a questão técnica e estamos aguardando uma definição sobre esse caso", disse.

Lautert informou que desconhecia o estudo, mas disse que o restauro é de interesse comum. "A última notícia que tínhamos é que a máquina havia sido retirada da situação de abandono e levada para o Museu Histórico. O restauro é bem-vindo, mas qualquer procedimento deve ser comunicado ao Iphan", orientou.

A gestora cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Solange Batigliana, disse que o projeto de restauro é um sinal de que a cidade se preocupa com a máquina e com todo o acervo ferroviário. "Essa união entre as instituições demonstra que temos o desejo de preservar a nossa memória. Desde 2014 vínhamos tentando uma solução para a manobreira. Agora, o primeiro passo foi dado".

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