Museu do Café traz história do grão que moldou Londrina
Integrada ao Sesc Cadeião de Londrina, unidade abre para visitação pública na próxima terça (29)
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de agosto de 2023
Integrada ao Sesc Cadeião de Londrina, unidade abre para visitação pública na próxima terça (29)
Walkiria Vieira 

O Museu do Café foi inaugurado na última quinta-feira (24) em Londrina. Trata-se de uma obra do Sistema Fecomércio Sesc Senac-PR e a sua instalação representa para a cidade e região uma significativa e moderna estrutura para difusão histórica e cultural.
A cerimônia de inauguração foi reservada a convidados, imprensa e autoridades e contou com a presença do governador Ratinho Junior (PSD). O Museu do Café estará aberto à visitação pública a partir da próxima terça-feira (29) - para então receber escolas e grupos de visitantes, garantindo vivências temáticas em uma área educativa.
Integrado ao Sesc Cadeião de Londrina, o prédio do museu – construído na década de 1960, auge da produção cafeeira paranaense – abrigou durante 54 anos a 10ª Subdivisão Policial e foi recebido pelo Sesc-PR, no primeiro semestre de 2018. Em 2011, o Sistema Fecomércio Sesc Senac PR assinou com a Prefeitura de Londrina a cessão do imóvel por 20 anos, com possível renovação por igual período.
A obra, concebida para preservar a memória da cultura cafeeira e do patrimônio histórico, é agora também um lugar de informações contemporâneas, eventos, vivências e visitações - técnicas, escolares e de turistas de um modo geral.
ACERVO
Para compor o acervo do museu dedicado à memória da cultura cafeeira, o Sesc PR conclamou a população londrinense e do Norte do Paraná que colaborasse com doações de fotografias, objetos, documentos e artefatos históricos que ajudassem a contar e preservar esta história.
O corretor de cafés, presidente da "A Rural Corretora de Cafés e Cereais" e ex-presidente do Sincafé (Sindicato dos Corretores de Café no Estado do Paraná), Carlos Antonio Amaral Monteiro, foi um dos doadores, que formalizou a entrega de diversos itens ao museu, entre eles uma coleção completa de mais de 500 xícaras e uma mesa de degustação de cafés.
Os materiais recebidos compõem os expositivos do museu e de outros ambientes com o tema. Darcy Ramires Paulo, ex-gerente regional da Inter Continental de Café S/A, já aposentado da função da empresa em que trabalhou por quatro décadas, também doou fotografias, documentos e objetos.
Pés de café ornamentam o novo museu - onde descansam as ferramentas que no passado, serviram para o labor. Um rastelo bem surrado e peneiras castigadas pelo tempo são alguns deles. Pelas mãos que já não estão aqui, as fotografias mostram como a força braçal era necessária e, de sol a sol, cobria o terreiro.
Se uma tuia é parte da história, a imagem de homens e mulheres na lida com os cafezais - e em todo o o processo também está na memória. Da terra que recebe a semente, à afetiva xícara de café, um percurso de respeito. A torra média de um legítimo selo100% arábica é a preferência de muitos degustadores que valorizam a bebida e sua trajetória.
E esses também se encantarão ao visitar o novo museu e ficar diante do moedor das antigas, do torrador redondo e das sacas de juta originais em lugar de destaque. Da nobreza de cada grão, ergueu-se o museu com curiosidades e fatos de uma era de grande representatividade para Londrina e região.
De família de pioneiros, Elenice Dequech é voluntária reconhecida por sua atuação em museus e de seu ponto de vista é uma data especial. Há 30 anos, dedica-se a enriquecer os museus de Londrina e de seu ponto de vista a instalação deste unidade tem muito a contribuir do ponto de vista educativo e cultural, principalmente de estudantes. Apesar de um acervo atrativo e com artigos nunca vistos de perto por muitas pessoas, as doações ainda podem ser feitas.
Mais pessoas além de Elenice Dequech e que contribuíram para a formação do acervo e sua memória compõem um painel de fotografias e que permite ao visitante conhecê-los. Estão lá José Carlos Rosseto, Omeletino Benatto, Vanda de Moraes, Yukio Ajita, Cristina Rodigues Maulaz, Vitor Ogawa, Antonio de Oliveira, entre outros.
CULTURA CAFEEIRA
A cultura cafeeira no Paraná foi a continuação das plantações que vinham desde Minas Gerais – quando do esgotamento da exploração aurífera –, passando pelo Rio de Janeiro, São Paulo, até chegar às terras do Norte paranaense. Tornou-se a riqueza do Estado e trouxe o desenvolvimento e o crescimento da economia estadual.
Londrina foi responsável, na década de 1960, por cerca de 51% do café produzido no mundo e ficou conhecida como “Capital Mundial do Café”. Enquanto na década de 1950 o Paraná tinha 300 mil hectares dedicados ao plantio do café, em 1962, saltou para 1,6 milhão de hectares plantados. Já a decadência da cafeicultura paranaense ocorreu, principalmente pelas fortes geadas de 1963, 1964 e 1966; pela devastadora Geada Negra de 1975.
HISTÓRIA CONTINUA A SER ESCRITA
A gerente do Sesc Londrina Cadeião, Patricia Erika Sugeta, enfatiza que o Museu do Café também terá uma loja de souvenirs, incluindo obras produzidas por artistas locais. "Pretendemos oferecer para Londrina um museu que estampará nossa memória de forma versátil, moderna e dinâmica, mas que será, também, um centro cultural com biblioteca, salas de cursos, de convivência, artes e eventos especiais. Tudo isso localizado no coração de Londrina, no nosso conhecido Centro Velho, em uma das ruas comerciais mais famosas e populares da cidade, a Rua Sergipe”.
Para o doutor em História e professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Rogério Ivano, o museu não é um local apenas de antiguidades e de passado, mas um centro de informações contemporâneas onde existe constante renovação de conteúdos. “Não só se guardam as relíquias da sociedade, as histórias de sucesso, mas o museu precisa colocar as problemáticas da sociedade também em discussão", pensa.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Angelo Pamplona, considera o espaço um presente para Londrina e região. "No passado, o café representou muitas riquezas e fica um verdadeiro legado. Não pudemos perder isso da memória e o museu é uma ferramenta para isso" valoriza. "Para as gerações futuras saberem de nossa vocação e que já fomos a capital mundial do café", celebra.
O vice-prefeito João Mendonça considera também que esse é um momento de comemoração e também de agradecimento aos idealizadores. "Tudo o que Londrina viveu e representou por décadas em que o café era a base de nossa economia e isso vem nos coroar", reflete.
O presidente da Faciap (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná), Fernando Moraes, reflete que é muito positivo Londrina poder trazer em sua história a força que o café representou para a economia. "Hoje a inovação e os serviços possuem o seu papel, mas essa marca em nossa história deve ser valorizada."
Moraes também compreende a importância do museu como um espaço em uma sintonia com toda a revitalização e investimentos contínuos. "Diversas associações, entidades e toda a sociedade tem se comprometido a favor da centro histórico de Londrina, do comércio local e da integração da sociedade a esse movimento de apoio ao comércio de rua", afirma.
SERVIÇO
Museu do Café
Visitação pública: a partir de 29 de agosto
Funcionamento: terça a sexta-feira, das 9h às 21h e sábado e domingo, das 9h às 18h
Endereço: Rua Sergipe, 52
Informações: (43) 3572-7700 ou [email protected]


