Museu destaca cultura indígena
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segunda-feira, 29 de abril de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - "Eu tinha muitas criações, mas agora não tem mais. Eu tinha criações de gado que viviam no mato, que são as antas, mas agora não têm mais. Então aqui não tem mais nada para comer. Por isso estou vendendo balaios, para sobreviver". A declaração, feita em 1990 para a ex-professora da Universidade Estadual de Londrina Kimiye Tommasino, está em um quadro na exposição "Povos Indígenas no Norte do Paraná", aberta ontem de manhã no Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss.
Na solenidade de abertura, os convidados apreciaram as apresentações da Banda de Músicos de Londrina e da comunidade indígena de São Jerônimo da Serra. Um deles estava vestido com um tombió, uma espécie de kilt feito com taboas amarradas e com colares de contas. Líder da tribo, Claudinei Vargas explicou que esse colar se chama joxaa e protege o guerreiro contra maus espíritos. O outro colar, chamado boyi, protege a garganta e não pode ser passado para outras pessoas. A dança realizada é tradicional entre os índios guarani antes de embates. "É a dança do guerreiro. Realizamos essa dança também quando solicitamos terras para o nosso povo", explicou.
Para o cacique, a exposição é importante tanto para a população quanto para os índios da região. "Pela primeira vez estão dando valor aos indígenas, e isso é importante porque nossa cultura está cada vez mais esquecida. Os outros caciques também não davam importância para a preservação da nossa cultura, mas estou tentando resgatar isso, pois muita coisa se perdeu com o tempo", destacou.
Já a diretora do museu, Regina Célia Alegro, observou que a história de Londrina geralmente é contada a partir da chegada dos colonizadores, mas que é preciso mostrar a história, as tradições e a memória daqueles que habitavam a região antes da chegada dos imigrantes. "Queremos ampliar o diálogo e as narrativas do museu. Precisamos compreender essa cultura milenar de usos e costumes indígenas."
Organizada com peças de acervos de vários museus, a exposição traz fragmentos de cerâmica, flechas, fotografias e gravuras de Thomas P.Bigg Wither, Franz Keller, João Henrique Elliot e Claude Lévi-Strauss, além de aves cedidas pelo departamento de ornitologia da Universidade Estadual de Londrina. A mostra terá ainda um ciclo de palestras científicas e atividades para crianças.
A exposição é aberta ao público. O Museu fica na R. Benjamin Constant, 900. Mais informações pelos telefones (43) 3323-0082 e 3324-4641.


