Rio, 07 (AE) - Notórios por suas aparições em livros e filmes, os dinossauros americanos reinam absolutos no imaginário popular. Os grandes répteis, no entanto, andaram por terras brasileiras durante 160 milhões de anos. Eram tipos diferentes de seus primos do norte e são, até hoje, desconhecidos dos brasileiros. Para tentar reverter a situação, o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista inaugura no sábado uma exposição inédita com mais de cem fósseis de animais e plantas que viviam no Brasil no período mesozóico.
"Nós também temos fósseis fantásticos, mas, infelizmente, Steven Spielberg não é brasileiro", afirmou o paleontólogo Alex Kellner, coordenador da exposição, referindo-se ao cineasta americano que popularizou os dinossauros com seus filmes Jurassic Park 1 e 2.
Tiranossauro, velociraptor, triceratops - as assustadoras criaturas que se tornaram famosas no cinema são tipicamente americanas e nunca botaram os pés no Brasil. Andavam por aqui espécies como a dos carnívoros stauricossauros e a dos herbívoros titanossauros, cujos fósseis são destaque da exposição.
Organizada pelo Setor de Paleovertebrados do Museu Nacional e pela Paleontologia do Departamento Nacional de Produção Mineral, a exposição No Tempo dos Dinossauros é a primeira do gênero realizada no Brasil. A mostra, que contou com patrocínio da Petrobrás e foi orçada em R$ 150 mil, poderá ser vista até 12 de setembro. O objetivo, segundo o coordenador, é apresentar ao público uma pequena mostra da diversidade de seres vivos que habitaram as terras e mares do Brasil, entre 225 milhões e 65 milhões de anos atrás.
Evolução - A exposição ocupa uma área de 250 metros quadrados e está montada de forma que o visitante compreenda a evolução da vida na Terra. O ponto de partida são as teorias sobre a origem do universo.
Como a vida surgiu no mar, os seres marinhos fazem parte da segunda etapa da exposição, como os mosassauros (lagartos que habitaram a costa do Nordeste). Saindo do mar, o enfoque da exposição recai sobre os fósseis de animais que habitaram o Rio Grande do Sul, há 225 milhões de anos. Entre eles estão o rincossauro, réptil de hábitos herbívoros que apresentava um grande bico. O destaque fica para o stauricossauro, um dos mais antigos dinossauros do mundo. "Trata-se de um bípede predador, carnívoro, que, neste caso, tem 1,5 metro de altura", explicou Kellner. Em uma terceira parte da mostra são exibidos fósseis de 80 milhões de anos encontrados na Formação Bauru, que abrange os Estados de Minas Gerais e São Paulo, e na Chapada do Araripe, no Nordeste do País.

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