Rio, 09 (AE) - Até a Páscoa do ano 2000 estará funcionando o Museu de Arte Sacra da Catedral do Rio de Janeiro. O acervo tem mais de cinco mil peças e só falta fechar o patrocínio para que o público possa ver as peças dos séculos 17, 18 e 19, recolhidas durante 40 anos. Na década de 50 o então arcebispo do Rio, Dom Jaime de Barros Câmara, mandou circular às paróquias pedindo o envio de peças fora de uso, avariadas e precisando de reforma.
O museu será reaberto, pois funcionou de agosto de 79, quando a Catedral foi consagrada, até meados de 1985. "Fechamos por motivo de segurança, pois não podíamos deixar expostas preciosidades como o ramalhete de prata que a Princesa Isabel ganhou do Papa Leão XIII como prêmio pela abolição da escravatura", explica o vigário paroquial e diretor do museu, padre Haroldo Ribeiro. "Hoje as visitas são possíveis, selecionadas e com hora marcada".
As peças mais valiosas estão no cofre do Palácio São Joaquim, sede da Arquidiocese do Rio. No subsolo da Catedral, ficam os objetos menos fragéis, como as imagens dos apóstolos de madeira vindos da Igreja de São Pedro dos Clérigos, que existia no centro até a abertura da Avenida Presidente Vargas; uma imagem de Nossa Senhora da Conceição de barro, do século 18, feita em Portugal; dois quadros de Leandro Joaquim, do século 19
reproduzindo o incêndio do Recolhimento do Parto, um dos primeiros hospitais cariocas. Lá está a peça mais antiga do museu, um quadro de Nossa Senhora atribuído a Mateo Giovanini, do século 15. As peças foram catalogadas pela museóloga Helena Pavão,
Boa parte do acervo chegou à Catedral nos anos 60, quando as igrejas do interior passaram por reformas (às vezes demolição mesmo) que lhes deram uma arquitetura moderna. Outras, como a Nossa Senhora do século 15, vieram de doadores particulares, famílias que trouxeram seus objetos religiosos da Europa, na imigração. A maioria desses objetos é de procedência portuguesa, mas há também peças do barroco espanhol e do barroco italiano.
Além de santos de barro, de madeira e dos objetos litúrgicos, como ostensórios (onde se guarda a hóstia consagrada), relíquias e relicários de prata e ouro, o museu tem também vasto mobiliário e vestuário religioso. "Muitos oratórios vieram de fazendas antigas, construídos para colocar nos quartos", conta o padre Haroldo Ribeiro. O mais antigo é do século 17 e veio do Norte fluminense. Os santos originais não existem mais, mas a pintura das portas permanece intacta.
Há também confessionários e estolas que os padres usavam nas cerimônias religiosas, a maioria do século passado. "Na verdade, esses objetos foram usados até a década de 60, quando o Concílio Vaticano II mudou a forma de rezar missa e até a disposição dos móveis dentro da igreja", comenta Helena Pavão. "Como o museu terá uma exposição permanente e outras temporárias, poderemos montar, por exemplo, um cenário mostrando como eram as missas de antigamente ou uma mostra só de Nossas Senhoras".
Apesar de São Sebastião ser o padroeiro e até emprestar o nome a cidade do Rio de Janeiro, há apenas duas imagens dele no museu, já os Santo Antônio de Pádua são muitos, em vários materiais e tamanhos. "É porque ele tem muito mais devotos na cidade do que São Sebastião", explica D.Haroldo Ribeiro.

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