São Paulo, 12 (AE) - Os municípios paulistas que têm gestão plena na saúde (administram com autonomia a rede pública e conveniada, recebendo verbas federais) deixam de prestar contas de quase 10% dos recursos recebidos. Isso significa R$ 100 milhões gastos sem controle. A informação foi dada hoje pelo ministro da Saúde, José Serra, durante os debates do I Congresso Paulista de Política Médica. Segundo ele, alguns municípios do interior do Estado gastam com saúde apenas 30% ou 40% das verbas que são repassadas. "Estamos incentivando a municipalização, mas queremos prestação de contas", disse Serra, lembrando que o atual governo triplicou o número de municípios com gestão plena. "Há municípios que recebem verbas para comprar remédio e gastam os recursos em outras coisas", acrescentou. Como exemplo do quanto ainda se pode avançar em termos de melhoria da gestão de verbas na área de saúde, Serra citou o exemplo de um hospital do Rio de Janeiro que conseguiu reduzir em 36% seus custos renegociando preços com seus fornecedores. "Pressionamos pela economia, mas não retiramos do orçamento as verbas poupadas, com isso, o hospital construiu um novo prédio"
disse.
Outra prioridade da área é a ampliação do Programa de Saúde da Família: "Queremos terminar o mandato com o programa atendendo à metade da população do País porque é urgente melhorar o atendimento básico para esvaziar os hospitais, caros e perigosos porque são focos de infecções", disse Serra.
A grande dificuldade para cumprir a meta seria a falta de médicos. Embora o número de médicos por habitante seja grande no País, a oferta é duplamente distorcida: os profissionais estão concentrados na região sudeste e há poucos clínicos gerais.
"O governo do Ceará não consegue contratar médicos para o interior nem oferecendo salários de R$ 5 mil", disse Serra, criticando a superespecialização desses profissionais: "Os laboratórios estimulam isso para criar demanda para seus remédios, mas temos que fortalecer a formação do clínico polivalente porque é disso que o País precisa".
Para isso, o ministério está estudando projeto de lei que tornaria a residência médica no interior compulsória para estudantes de medicina da rede pública. Serra anunciou que o Ministério da Saúde pretende investir recursos próprios em pesquisas na área de saúde e criar uma agência para esse fim.
"É preciso estabelecer uma política para organizar e direcionar os esforços e aumentar as verbas. Precisamos, por exemplo, pesquisar a dengue porque a Europa e os Estados Unidos não irão investir na solução de um problema não existe por lá", disse Serra.
O ministro disse que o governo federal deve investir cerca de R$ 60 milhões por ano nas pesquisas em saúde. Esse volume de verbas é semelhante ao que o Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) dispõe.

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