Em meio ao período mais crítico no combate ao Aedes aegypti, com altas temperaturas e chuvas constantes, vários municípios têm enfrentado problemas com a falta de inseticida para eliminar o mosquito transmissor de doenças como a dengue, zika e chikungunya. Londrina, apesar de ser o município com o maior número de casos de dengue notificados no Estado, com 6.188 registros, está há quase uma semana sem o veneno. Desde a última quinta-feira, os seis carros do fumacê estão parados e a aplicação do inseticida em bombas costais também foi suspensa.
Em Porecatu, na região metropolitana de Londrina, a Secretaria Municipal de Saúde contratou dez pessoas para aplicar veneno nos bairros por 14 dias. Após os primeiros quatro dias de bloqueio, o produto Malation 40%, repassado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), se esgotou. "De acordo com o servidor municipal da Vigilância Sanitária, Roberto Leandro Pires, o prejuízo ao município totaliza R$ 15 mil. "Não temos o que fazer. Eles estão à disposição para trabalhar, mas sem o veneno não tem como", lamentou.
Segundo Pires, o município pediu 300 litros do inseticida, mas só recebeu 80 litros. A Sesa confirmou que o repasse do inseticida está afetado por conta de atraso na distribuição do Ministério da Saúde, no entanto, não detalhou há quanto tempo recebeu a última remessa e quando deveria ter recebido o lote atual. Segundo informações, o desabastecimento estaria ocorrendo em todo o País por conta da grande demanda pelo produto.
A reportagem da FOLHA questionou o Ministério da Saúde sobre o atraso, mas por meio de nota, a assessoria de imprensa do órgão apenas informou que, em 2015, foram enviados para todo o País 454 mil litros do inseticida e 11.118 toneladas de adulticidas, produto utilizado para os fumacês e aplicação residual em pontos estratégicos (ferros-velhos, borracharias, entre outros), e que mata o mosquito já na fase adulta. Cada quilograma do produto é capaz de tratar 500 mil litros de água.
O Ministério da Saúde afirma que repassou para o Paraná, em janeiro, cem quilos de adulticidas. "Vale ressaltar que o uso do inseticida é um dos instrumentos de combate ao mosquito, mas a principal medida é prevenir o nascimento do Aedes aegypti, com medidas simples que possam evitar o acúmulo de água parada", justificou.
Alguns municípios seguem com o inseticida em estoque, como no caso de Paranaguá, no litoral. Recordista em casos confirmados de dengue (1.739), o município informou que além de manter os serviços de bloqueio com bombas costais e caminhões fumacê, "ainda empresta inseticida a outros municípios do litoral como forma de colaborar na luta contra a doença na região".

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