Bauru, 05 (AE) - Com a vinda do gás natural boliviano e a definição do traçado do gasoduto Brasil-Bolívia em São Paulo pela margem direita do Rio Tietê, municípios localizados na margem esquerda mobilizam-se pela construção de ramais que permitam o abastecimento dessas cidades com essa forma alternativa de energia, que leva à redução do consumo de energia elétrica e do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) .
A prefeitura de Botucatu, por exemplo, solicitou, na semana passada, um levantamento à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), sobre o parque industrial instalado nos municípios da margem esquerda do Tietê. Deverá, ainda, buscar informações em outros setores, para definir qual é o tipo de matriz energética da região e quais são as possibilidades de substituição pelo gás natural. A partir daí, deverá ser montado um consórcio, com a participação dos municípios interessados.
O assessor para Assuntos Industriais, Marcos Batista dos Santos, lembra que existem na área usinas de açúcar, cerâmicas, cervejarias, granjas e outras empresas, que consomem grande quantidade de energia elétrica, de derivados de petróleo e até lenha, e poderão queimar gás, contribuindo para a economia de energia elétrica e evitando os problemas criados pelo uso dos demais combustíveis, como o de poluição do meio ambiente.
A proposta básica do município de Botucatu é de que o gasoduto regional seja construído a partir do city gate (estação de redução de pressão e med‹ção do gás) de Sorocaba e, para evitar desapropriações, sejam utilizadas as margens da antiga Estrada de Ferro Sorocabana ou a Rodovia Marechal Rondon. "Com isso, se abastecerá grande número de municípios intermediários, podendo esse ramal seguir para Lençóis Paulista, Bauru e outras da região centro-sul de São Paulo", diz Santos.
Estudos - Em Marília, também há um movimento pelo gás natural procedente da Bolívia. Uma reunião feita dia 17, na sede local do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), lançou as bases para a instalação de uma tubulação, de 72 quilômetros de extensão, partindo do terminal do gasoduto Brasil-Bolívia, instalado em Lins.
Estudos preliminares para a instalação de um gasoduto regional foram feitos também em Ourinhos. A proposta, apoiada por políticos e empresários do município, é de que sejam abastecidas dezenas de localidades paulistas e paranaenses, até a região de Londrina. "O mais indicado é que, depois de levantado o potencial regional, os municípios façam um estudo integrado, para fazer o traçado interesse a todos os consumidores potenciais", afirma o responsável pelo fomento industrial de Botucatu. Santos agenda para as próximas semanas uma reunião com os municípios interessados.

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