Municípios buscam formas de combater o crack
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terça-feira, 26 de abril de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Londrina - ''A droga dá um prazer, uma sensação de euforia, mas roubou tudo o que eu tinha. Minha família, minha vida.'' Com 45 anos, N.C. busca se livrar da dependência do crack por meio do atendimento do Centro de Recuperação Vida Nova (Cervin), em Rolândia (Norte).
Ele está há oito meses sem usar a droga e em breve deve concluir o tratamento. ''Eu sei que a luta é diária. Posso ficar 10 ou 15 anos limpo, mas se usar uma vez volta tudo de novo'', comentou.
Quando fumou crack pela primeira vez, N.C trabalhava como um missionário cristão em Foz do Iguaçu. ''Comecei a me sentir de certa forma sufocado de responsabilidades. Meu primeiro filho tinha acabado de nascer e para desestressar acabei comprando uma cerveja'', recordou. Fazia aproximadamente uma década que N.C havia se livrado do alcoolismo. ''Eu me senti horrível e procurei um traficante perto da minha casa. Eu nem sabia usar crack ele me ensinou e durante dois anos fiquei refén da droga''.
A saída ele só está encontrando agora, no Cervin. Quando terminar o tratamento, pretende permanecer na entidade, trabalhando. ''Sei que o risco de recaída é muito grande, então acho que vou ficar um tempo aqui ajudando outras pessoas a se levantarem. Sozinho ninguém consegue abandonar o crack.''
O número de vítimas do crack, como N.C., é cada vez maior. Dados de 2005 do Ministério da Saúde estimavam em 380 mil o número de dependentes no País. Hoje a quantia saltou para 600 mil. Para descobrir a dimensão exata e assim contribuir para a redução do número de dependentes, que gera outras consequências como o aumento da violência, a Confederação Nacional dos Municípios lançou ontem o portal Observatório Nacional Sobre o Crack.
O objetivo é acompanhar o problema em todos os municípios, com informações sobre o consumo, os investimentos e os resultados das ações de combate. O site contém uma pesquisa feita pela CNM no final do ano passado, a qual constatou que 98% dos municípios enfrentam problemas com o crack.
Segundo o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, hoje há carência de informações sobre o uso da droga nos municípios e o portal vai possibilitar um aprofundamento sobre a questão. O presidente da Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar), João Pavinato, garantiu que afirmou as cidades da região vão participar do Observatório.
''O desafio inicial é levantarmos os dados, para fazer um diagnóstico preciso. Em seguida repassaremos essas informações para o Observatório. A partir daí é possível fazer ações, pedir recursos federais para lidar com esse problema grave, que é nacional'', afirmou.(Com Agência Brasil)


