Municípios alagoanos decretam moratória para combater seca
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Ricardo Rodrigues (especial para a AE) 
Maceió, 19 (AE) - Em reunião realizada hoje na Associação dos Municípios de Alagoas (AMA), 70 dos 102 prefeitos alagoanos decidiram decretar moratória dos pagamentos dos tributos federais (INSS, FGTS e precatórios) para usar os recursos no combate à seca. Além disso, os prefeitos e parte da banca federal de Alagoas pediram que o governador Ronaldo Lessa (PSB) decretasse a moratória temporária, para usar durante três meses, em programas de combate à seca, os R$ 13 milhões mensais que o governo do Estado paga à União pelo serviço da dívida.
Os prefeitos decidiram ampliar de 50 para 70 os municípios alagoanos em estado de calamidade pública, por causa da seca que atinge agora todas as regiões do Estado. Segundo o presidente da AMA, Avânio Feitosa, a estiagem prolongada que atingia apenas metade dos municípios alagoanos chegou aos municípios da Zona da Mata alagoana e ameaça as demais cidades que estão sendo invadidas por centenas de flagelados.
Além disso, a Agência Nacional de Meteorologia prevê o prolongamento da estiagem até junho em todo o Estado.
"Sem ter como alimentar cerca de 500 mil pessoas, o que corresponde a 53% da população total dos 50 municípios atingidos pela seca, os prefeitos temem uma onda de saques e apelam para ajuda imediata do governo federal, caso contrário serão obrigados a fechar as prefeituras", afirmou Feitosa. Segundo ele, se a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) não pagar um débito de R$ 400 mil com os fornecedores de água, os proprietários de carros-pipa ameaçam cortar o abastecimento nas áreas atingidas pela seca. O serviço vem sendo coordenado pelo Exército, mas o comandante já disse que não vai ficar sujo na praça.
"Se o débito não for pago esta semana, vamos recomendar aos pipeiros que cortem o fornecimento da água", afirmou o comandante do Exército em Alagoas, coronel Ruyter Barcelos. Essa declaração foi feita durante a reunião e deixou os prefeitos preocupados. A situação só não ficou mais tensa porque, minutos depois, o senador Teotônio Vilela (PSDB), ligou de Brasília e garantiu que tanto o fornecimento de água e das cestas básicas irá continuar. A prefeita do município de Roteiro, Maria Helena Jatobá (PMDB), disse que só acredita na promessa quando o dinheiro chegar.
Os dirigentes do Sindicato dos Produtores de Leite de Alagoas Aloísio Rodrigues e Iêdo Vilela disseram que 15% do rebanho leiteiro alagoano morreram, devido à falta dágua e de pasto. Segundo eles, caso não aconteçam as medidas emergenciais anunciadas, 25 mil trabalhadores da pecuária serão demitidos e virão para Maceió, acampar na frente do Palácio dos Martírios. "Vamos trazer para a Capital os flagelados da seca, que estão se acabando de fome no Sertão", afirmou o prefeito de Santana do Ipanema, Paulo Ferreira (PSDB), acrescentando que "o povo está comendo palma e disputando resto do pasto com o gado".


