O secretário de Saúde de Londrina, Silvio Fernandes, assegurou à reportagem da Folha que todas as responsabilidades do município em relação ao tratamento dos portadores do HIV serão cumpridas. A garantia dada pelo secretário foi em resposta às críticas feitas pela Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia). Na semana passada, o coordenador-geral da entidade, Roni Lima, acusou os governos municipal e estadual de descaso em relação ao tratamento dos soropositivos.
Segundo Fernandes, o município tem que oferecer a todas as gestantes o exame sorológico que detecta a presença do vírus HIV; exames CD4 e CD8 três vezes por ano para avaliar a condição imunológica do paciente; exame de carga viral que acompanha a eficiência do anti-retroviral; medicamentos para combater as doenças oportunistas; assistência ambulatorial e hospitalar.
Apesar de negar omissão no serviço, o secretário admite que é preciso reforçar alguns pontos nessa assistência. A principal delas é a falta de dinheiro para contratar um infectologista. A Secretaria de Saúde dispõe de apenas um especialista para atender ao programa de combate à Aids e na falta dele os pacientes recorrem ao Hospital Universitário (HU) e Hospital de Clínicas (HC) estendendo ainda mais as filas de espera.
Mesmo sem saber estimar o número de soropositivos da cidade, o coordenador do Centro de Referência, Marcos Menezes Freitas, disse que no ano passado Londrina registrou 100 casos novos e este ano já foram 20 notificados.
O coordenador da Alia acredita que o número de soropositivos na cidade está próximo de 600.
Para atender a esses pacientes, Londrina e as demais cidades onde a doença já é endêmica contam com uma verba federal do Plano Operativo Anual (POA). Segundo a diretora-geral da 17ª Regional de Saúde, Rosilene Aparecida Machado, essa verba é destinada ao tratamento dos pacientes e, principalmente, a campanhas de controle e prevenção. O planejamento das atividades e a distribuição do dinheiro é discutida pela Comissão Interinstitucional de Aids formada por representantes do município, ONGs, HU, HC e Vigilância Sanitária. ‘‘Infelizmente, muitos dos projetos não podem ser colocados em prática porque o dinheiro não é liberado. Um exemplo, é a parcela do POA de 2000 que deverá chegar apenas este ano’’, explicou Rosilene Machado.

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