Município alagoano é destaque pela eficiência no uso dos recursos
Brasília, 18 (AE) - Incrustado no agreste alagoano, o pequeno município de Girau do Ponciano destacou-se pela eficiência no uso dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de valorização do Magistério (Fundef). Conseguiu, em um ano, aumentar em 270% o salário do professor de ensino fundamental com regime de 20 horas de trabalho semanal. "Agora, ser professor aqui é um luxo", diz, satisfeita, a secretária de Educação, Maria Souza, que se orgulha de ter reduzido de 20% para menos de 10% a evasão escolar no município. Por outro lado, prefeituras como a de Serrinha, na Bahia, estão sob suspeita de desvio do dinheiro do fundo.
Já em Araci, no sertão baiano, os salários dos professores subiram para R$ 270,00 em jornada de 20 horas. Os 15 mil estudantes, além de livros, recebem merenda e transporte. "Nunca vi coisa parecida aqui", diz, exultante, a professora Marineide Góes. Na cidade cearense de Barreira, 97% das crianças de 6 a 14 anos estão nas escolas. Com o fundo, a prefeitura vem licenciando professores leigos para as 34 escolas, 15 delas em recuperação.
Em Coroatá, no Maranhão, foi criado um departamento para administrar o Fundef, com resultado significativo na melhoria do ensino. O mesmo não foi feito em São João de Paraúna, em Goiás, onde, segundo o secretário de Administração, Nromer Silva, a falta de informação técnica fez com que os recursos do Fundef ficassem parados na conta do Banco do Brasil até setembro do ano passado. Na contra-mão - Ao contrário do que ocorre no restante do País, os municípios do Estado de São Paulo não estão ganhando com o Fundef, revela uma pesquisa desenvolvida pelo deputado estadual Cesar Callegari (PSB). O trabalho mostra que 501 dos 645 cidades paulistas perdem recursos para o fundo. Isso porque o estudante paulista custa muito mais para os municípios que os R$ 650,00 repassados por aluno/ano. "As secretarias gastam, no mínimo, R$ 1,2 mil por estudante", afirma Callegari. "O Ministério da Educação não fez um estudo sobre o custo real dos alunos por região".
Este é o caso de Santo André, na Grande São Paulo. De acordo com a secretária de educação, Selma Rocha, cada estudante da rede custa R$ 1,8 mil e a secretaria está complementando os recursos do Fundef. A maior parte dessa verba é destinada ao pagamento de professores e funcionários. Santo André está oferencendo vagas para as 1.ª e 2.ª séries do ensino fundamental
mas não vai municipalizar a educação. "Não teremos recursos para financiar toda a rede, pois teremos de tirar da educação infantil e do supletivo nossa real demanda", diz Selma. (Colaboraram Sônia Cristina Silva, Biagio Talento, Rodolfo Spínola e Juliana Junqueira)





