Estocolmo, 16 (AE-AP) - Cinco novos conflitos explodiram na áfrica no ano passado e um na Europa. A tensão cresceu na ásia. Confrontos entre Índia e Paquistão parecem insolúveis.
O Livro do Ano de 1998 do Instituto Internacional de Investigação para a Paz (sigla em inglês, SIPRI) de Estocolmo, apresentado hoje (16), traça um quadro sombrio da segurança global às vésperas de um novo milênio.
"Claramente, 1998 mostra um quadro pior em termos de conflitos armados no mundo", disse Peter Wallensteen, coautor da parte do livro sobre grandes conflitos armados.
Em 1998, houve 27, dois a mais do que durante o ano anterior, segundo o conceituado relatório anual.
Acordos de paz foram assinados no ano passado na Irlanda do Norte, entre Equador e Peru e em Papua Nova Guiné, mas nos Bálcãs, entre Índia e Paquistão, Coréias do Norte e do Sul, no Oriente Médio e entre Eritréia e Etiópia o conflito ainda reina.
"Neste momento, não existe solução" para o conflito entre Índia e Paquistão, afirmou Sten Widmalm, que estudo o assunto para o livro do ano. "Provavelmente haverá uma escalada na luta. A perspectiva é muito sombria".
As duas nações reclamam Caxemira. O relatório adverte que Paquistão pode decidir que um primeiro ataque é a única alternativa porque ele tem um poderio militar menor do que o da Índia.
"O risco de uma escalada nuclear é não apenas real, mas também origina diretamente do raciocínio lógico dos estados envolvidos", considera o relatório.
Os novos conflitos explodiram em Angola, Congo, Etiópia e Eritréia, Guiné-Bissau e Ruanda. A áfrica (11) assumiu o lugar da ásia (09) como a região com a maioria dos grandes conflitos - que para o SIPRI significa aqueles cujos combates provocam a morte de mais de 1.000 pessoas.
Abundantes recursos naturais podem ser um problema assim como uma vantagem, declara o relatório, porque muitas vezes eles se tornam fonte de conflito.
A luta em Angola, por exemplo, "tem se concentrado mais em petróleo e diamantes do que em ideologia".
Os gastos militares mundiais caíram em 3,5%, dando continuidade a uma década de declínio, mas ainda são enormes - US$ 745 bilhões.
Nos próximos anos, a expectativa é que eles aumentem, muito porque os Estados Unidos planejam ampliar seus gastos, disse Elisabeth Skoens, que escreveu sobre produção de armas.
Fora as regiões do mundo que são geralmente seguras, como América do Norte, e que claramente não o são, como partes da áfrica, existem várias áreas que Wallensteen chamou de "grandes pontos de interrogação".
"A Rússia hoje é totalmente imprevisível", afirmou.

mockup