Mundo espera que reformas não sejam interrompidas na Rússia
Washington, 09 (AE-AP) - Apesar dos intensos rumores divulgados pela imprensa na semana passada, a surpreendente demissão do primeiro-ministro russo, Sergei Stepashin - no cargo há menos de três meses -, pelo presidente Boris Yeltsin levou hoje (09) os países do Ocidente a manifestarem esperança de que as reformas políticas e econômicas em curso no país não sejam interrompidas.
A Casa Branca reagiu com cautela diante da útima mudança envolvendo o gabinete russo, mas afirmou que a administração do presidente Bill Clinton está pronta para trabalhar com o recém- nomeado primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, depois da destituição de Stepashin.
"Nós trabalhamos com o governo russo baseado em sua política e não em suas personalidades", disse o porta-voz, David Leavy.
Ele disse ainda que Clinton foi informado sobre as últimas alterações no gabinete russo por seu assessor de Segurança Nacional, Sandy Berger, mas não soube informar se houve algum contato entre altos funcionários dos dois governos após as mudanças.
Os maiores mercados mundiais receberam as mudanças com temores de que até o fim do mês as taxas de juros nos Estados Unidos subam.
Para a União Européia (UE), as relações com Moscou não devem sofrer alterações. Segundo o primeiro-ministro finlandês, Paavo Lipponen - cujo país detém a presidência rotativa da UE -, é importante que a Rússia continue dividindo seus projetos com os 15 países que formam a organização. "Para a Finlândia, o mais importante é a continuidade dos projetos em comum e o mesmo pode ser dito com relação à União Européia", disse Lipponen.
Já o governo alemão - maior credor russo e seu maior investidor estrangeiro - não vê grande problemas na decisão de Yeltsin. "O governo alemão espera, obviamente, que a Rússia continue levando à frente seus projetos de reformas democráticas", disse o porta-voz governamental, Charima Reinhardt.
O governo britânico confia em poder continuar trabalhando com o novo governo russo, uma vez que a instabilidade do país representa um perigo para o mundo todo. Os franceses acreditam que a Rússia manterá as reformas de mercado, preservando, assim, a estabilidade internacional. "A França não tem razões para crer que as mudanças no gabinete russo façam alguma diferença e continuaremos a trabalhar com o sr. Vladimir Putin da mesma forma com que temos trabalhado com os governos anteriores", informou uma nota da chancelaria francesa.
Sem comentar a decisão de Yeltsin, o governo chinês afirmou que o importante é que seu maior vizinho mantenha a estabilidade. "A decisão do presidente Boris Yeltsin é um problema interno russo", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.





