Tóquio, 20 (AE-AP) - A decisão da Indonésia de honrar o resultado do plebiscito que permitiu a independência de Timor Leste é uma vitória para a nação e para o povo timorense, afirmaram hoje líderes mundiais.
O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, deu boas-vindas à aprovação na Assembléia Consultiva do Povo, que anulou um decreto de 1978 que incorpora Timor Leste à Indonésia.
O plano de Annan para uma administração transitória em Timor já foi entregue ao Conselho de Segurança da ONU, que deverá adotá-lo brevemente.
Em Lisboa, autoridades portuguesas consideraram a decisão em Jacarta como uma oportunidade para a Indonésia compensar décadas de repressão no Timor. O ministro das Relações Exteriores, Jaime Gama, disse que a Indonésia está agora "apta" a reconhecer a escolha feita pelos timorenses.
Em Bruxelas, a comissária para as Relações Exteriores da União Européia, Chris Patten, afirmou que a comissão européia está comprometida em fazer uma significante contribuição para construir a nova nação".
Segundo a porta-voz da Patten, Gunnar Wiegand, a comissão já se comprometeu em enviar 10 milhões de euros (US$ 10,8 milhões) para Timor Leste.
"A ação inequívoca da assembléia mostra respeito pela vontade dos timorenses", afirmou, em Washington, o presidente norte-americano, Bill Clinton. "É também um passo importante na transformação democrática na Indonésia", acrescentou.
Alguns dos vizinhos da Indonésia também aplaudiram a decisão de Jacarta. O primeiro-ministro australiano, John Howard, disse que o voto "marca um novo começo para Timor Leste". Por sua parte, o premier neozelandês, Jenny Shipley, disse que trata-se de "um passo importante no processo para permitir que os timorenses decidam seu próprio futuro político".
Para o líder timorense José Alexandre "Xanana" Gusmão, o voto é um alívio. "Sabíamos que esta decisão seria tomada (pela assembléia)", disse Gusmão em Darwin, Austrália. "Mas sempre havia uma dúvida porque havia um mar de complicações".

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