Beirute, 31 (AE-ANSA) - Os bombardeios da Aliança Atlântica na Iugoslávia causaram alarme e divisões no mundo árabe, com países como a Jordânia se manifestando a favor dos ataques da Otan e outros contra, entre eles Líbia e Argélia.
Se numa primeira leitura os ataques da Otan podem ser vistos pelos árabes como uma defesa dos kosovares muçulmanos frente aos sérvios cristão-ortodoxos, eles também representam um perigoso precedente de ações militares por parte de Estados Unidos e seus aliados, à margen da ONU.
Fora a Jordânia -cujo rei Abdallah II se colocou hoje abertamente ao lado da Otan e acusou a Sérvia de promover uma "limpeza étnica" em Kosovo- a maior parte dos países árabes não se manifestou sobre a crise.
Segundo analistas, esta atitude reflete confusão, indecisão e talvez cautela frente ao precedente.
"Alguns árabes aplaudem os ataques da Otan, mas se esquecem que ações semelhantes poderiam ser realizadas contra a Líbia, Sudão, Iraque, Irã ou Índia", todos países com graves conflitos de minorias étnicas, disse um funcionário da chancelaria egípcia.
Os governos da Argélia e Líbia se pronunciaram contra os ataques da Otan. O líder líbio, Mohammad Kadafi, os classificou acima de tudo de "ilegítimos", porque foram lançados à margem da ONU.
Kadafi pediu a suspensão dos bombardeios que, segundo disse, "ameaçam a paz no Mediterrâneo e na Europa".
No Iraque, primeiro país que condenou a ação da Otan contra a Iugoslávia, o governo afirmou que Milosevic aprendeu com o presidente iraquiano, Saddam Hussein, que já havia ousado desafiar os Estados Unidos.
Por seu lado, a Frente de Ação Islâmica (FAI), a oposição integrista islâmica jordaniana, condenou os ataques da Otan e afirmou que "quando os americanos bombardeiam os sérvios, por represália estes descontam nos kosovares".
"Os americanos desataram esta guerra para erradicar toda presença muçulmana nos Bálcãs. Temos que entender os objetivos desta conspiração imperialista e impedir que os inimigos do Islã a levem a cabo", disse a FIA.
Um comunicado do grupo fundamentalista xiita libanês Hizbollah sublinhou também que os ataques da Otan visam proteger os interesses americanos na Europa, e não defender os albaneses-kosovares.

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