Mundo aguarda decisão sobre juro dos EUA
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Monica Yanakiew 
Washington, 28 (AE) - O mundo está de olho na reunião de terça e quarta-feira, que deve elevar as taxas de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual - uma medida que serve para reduzir o consumo doméstico, mas que também encarece as obrigações exteriores dos países devedores.
Por ter sido previsto há meses, esse aumento (que só será anunciado depois de amanhã) já foi absorvido pelos mercados, que hoje reagiram bem. Mas os investidores se perguntavam se seria o único ou se haveria um segundo, em julho, e até um terceiro, antes do final do ano.
O aumento de juros, assim como ações futuras, serão decididos pela Comissão Federal de Mercado Aberto (FOMC). Esse fórum de 12 dirigentes do Fed (o banco central americano) é que traça os rumos da política monetária ao longo de oito reuniões anuais. A próxima começa amanhã, mas os resultados só serão anunciados quarta-feira.
"Acho que haverá uma elevação de 0,25 ponto percentual agora e outra de 0,25 ponto percentual em julho, antes mesmo da reunião seguinte da FOMC, que é em agosto", disse Arturo Porzecanski, do ING Barings. Ele tampouco descarta um terceiro aumento, também de 0,25 ponto percentual, antes do final do ano - e não é o único analista de mercado a apostar nessa hipótese. "Muitos estão achando que será preciso fazer mais para desaquecer a economia americana", explicou Edgar Amador, da Stone & McCarthy.
As expectativas dos mercados foram confirmadas pelos novos índices da economia americana, divulgados hoje, e as declarações do secretário do Tesouro, Robert Rubin - que no final de semana entragará o cargo ao seu vice, Larry Summers, e voltará para a iniciativa privada.
Hoje, o Departamento de Comércio anunciou que a renda pessoal dos americanos continua crescendo: registrou um incremento de 0 4% em maio, em relação ao mês passado. Mas seus gastos aumentaram mais, que seu ganhos. No mesmo período subiram 0,6%.
Essa febre de consumo contribuiu para récordes de crescimento da economia. Ontem o governo avaliou os números do primeiro trimestre e refez suas previsões: como o desempenho no comércio exterior foi melhor do que se esperava, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá aumentar 4,3% este ano, em vez de 4,1%.
Mas o alto índice de consumo nos Estados Unidos também tem um efeito negativo: o nível de poupança está cainda. Em maio, houve uma queda de 1,2% (mais que a queda de 1% registrada em março e em abril). Mesmo assim, a confiança dos consumidores nunca esteve tão alta - até porque o país ostenta os índices de desemprego mais baixos dás últimas três décadas e a inflação permanece sob controle.
Mas hoje Rubin alertou: a economia dos EUA pode continuar expandindo e a inflação deve permanecer baixa, nos próximos anos
mas o governo precisa se preocupar em ter "um ritmo de crescimento sustentável". Sem ser direto (ele nunca comenta a política do FED) Rubin deu a entender que será preciso aumentar as taxas de juros no país para desaquecer a economia, e impedir que os americanos continuem gastando mais do que ganham.
"Desaquecer a economia pode ser uma forma de tornar o crescimento sustentável", disse. Mas medidas para reduzir o consumo nos EUA, alertou, afetarão outros países, que terão que adotar políticas para garantir o crescimento sustentável de suas próprias economias. O governo está preocupado com uma recessão no Japão e uma recuperação mais lenta na Europa.


