Rio- Na manhã deste domingo, duas múmias egípcias do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro serão transportadas até um shopping da Barra da Tijuca onde vão passar por tomografias computadorizadas. Será a primeira vez que elas serão retiradas da instituição, onde estão há pelo menos 128 anos. Para o transporte será usado uma ambulância e a escolta de batedores da Polícia Militar
O exame faz parte de uma ampla pesquisa para revelar por onde passaram as múmias, quem eram, que tipo de vida levaram, que idade tinham quando morreram, qual a causa da morte e identificar até o tipo de penteado da época. A pesquisa chamou a atenção do Discovery Channel, que mandou uma equipe britânica ao Rio para filmar a experiência. As imagens farão parte do documentário ''Autópsia das Múmias''.
As múmias foram previamente radiografadas para identificar o estado de conservação em que se encontram. O exame revelou que Sha-Amum-em-su era uma mulher que tinha entre 35 e 40 anos, sofria de artrose e bico de papagaio. ''Pelo caixão, que mostra uma mulher nova, tínhamos a ilusão de que era uma mocinha, mas as radiografias mostraram que os ossos já estavam bem consolidados'', explicou o egiptólogo Antonio Brancaglion Junior.
A outra múmia examinada, do ano 1 do Período Romano, não está identificada. Ela está numa bolha de nitrogênio, para tratamento contra mofo e ataques de insetos. É a mais antiga do museu, arrematada num leilão por d. Pedro I, em 1826, e uma das mais raras: foi mumificada com os braços soltos ao longo do corpo, mantendo as formas femininas. Como ela, só há outras sete no mundo, quatro delas na Holanda.

mockup