Multivacinação deve ser maior este ano
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quinta-feira, 07 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaGuerraCarlos Albuquerque autoriza publicidade agressiva para sensibilizar paisO Ministério da Saúde avalia que mais de 18 milhões de crianças brasileiras menores de cinco anos serão imunizadas no dia 16, na primeira etapa deste ano da campanha de multivacinação. No Estado de São Paulo, que registra um surto de sarampo, todas as crianças de seis meses a cinco anos serão vacinadas contra a doença. Em São Paulo, estamos fazendo uma operação de guerra, afirmou ontem o ministro da Saúde, Carlos Albuquerque. Além da campanha de publicidade nacional, cujo mote é a paralisia infantil, o Estado terá campanha específica sobre sarampo.
A um custo de R$ 2 milhões, a campanha publicitária, que começa a ser veiculada hoje, é propositadamente forte e agressiva na tentativa de convencer os pais da importância de levar os filhos aos postos de vacinação. Nela, o craque de futebol Ronaldinho aparece, sisudo, sentado em uma cadeira de rodas. Imagine se os pais deste rapaz tivessem esquecido o dia da vacinação?, pergunta um locutor, em off, dando a entender que se não tivesse tomado a vacina, Ronaldo Luiz Mazário de Lima seria apenas mais uma vítima da poliomielite.
O ministro da Saúde admitiu que a campanha de multivacinação deste ano é de extrema importância para resgatar a credibilidade do Programa Nacional de Imunização, abalada depois da crise de abastecimento de vacinas tríplice e de casos de reação no País. Albuquerque contou que, em meio à crise, uma pesquisa em Santa Catarina mostrou que 40% das mães entrevistadas tinham receio em relação às vacinas. Mas posso garantir que temos vacinas suficientes, e até mais do que suficientes nos estados, e todas de boa qualidade, ressaltou.
Apesar do temor pós-crise das vacinas, o governo está otimista. O diretor do Centro Nacional de Epidemiologia, Jarbas Barbosa, acredita que será possível superar o índice de vacinação médio contra a pólio obtido no ano passado, de 98%. Mas ele admite que é preciso também ter homogeneidade nos índices. É preciso evitar que lugares permaneçam suscetíveis. No ano passado, 1.489 municípios não atingiram os 90%.


