Múltis começam a substituir importações de autopeças
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Paula Puliti 
São Paulo, 15 (AE) - A se julgar pelos números da balança comercial, o setor de autopeças está retomando o movimento de substituição de importações. Não se trata de uma reedição da política industrial dos anos 70, que fechou o País aos importados até meados dos anos 90, mas de um comportamento adotado por diversas multinacionais que buscam reduzir os efeitos do real desvalorizado sobre suas compras externas.
"Logo após a queda na cotação da moeda, em janeiro de 1999
montadoras como Volks, Fiat e GM iniciaram um esforço para diminuir suas importações de autopeças", afirma Paulo Butori, presidente do Sindipeças.
A entidade projeta encerrar este ano com superávit comercial de US$ 400 milhões, número que revela transformação radical nas vendas externas. Em 1998, a balança comercial de autopeças registrou déficit de US$ 145 milhões, e, em 1999, de US$ 85 milhões. As importações devem cair para US$ 3,72 bilhões neste ano, ante US$ 4,176 bilhões em 1998. "Muitas peças ainda estão em fase de desenvolvimento. A mudança não acontece do dia para a noite", explica o presidente do Sindipeças, indicando que a tendência de substituição de importações tem muito espaço para crescer.
A direção do Sindipeças afirma que as mudanças são tanto resultado da desvalorização do real quanto da necessidade das montadoras de desenvolver veículos com índice maior de nacionalização. Seguindo a tendência da nacionalização da produção, o Japan Export Trade Organization (Jetro), entidade de fomento comercial ligada ao governo japonês, promove uma exposição inversa nos dias 23 e 24. No evento, dez multinacionais japonesas instaladas no País vão mostrar aos fabricantes locais amostras das peças importadas que utilizam.
O objetivo é propor às indústrias a fabricação local de várias dessas peças, reduzindo as importações. Essa substituição significa economia de capital, já que a importação está mais cara, e diminuição dos prazos de entrega dos produtos. Participam da exposição Honda, NGK do Brasil, Panasonic da Amazônia, Yamaha, Aisin, Koyo, Keiko, Showa, Mitsubishi Motors e Yanmar.
Mantido o câmbio desfavorável às importações, a Soobet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica) projeta aumento de 13% nas vendas externas, ante um crescimento de apenas 2,5% nas importações em relação ao ano passado. A equipe de análise econômica do BBVA estima 13,2% de alta nas vendas externas, ante 2,5% nas compras deste ano.


