Multinacional usa brecha para minar propostas de saúde
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quinta-feira, 17 de maio de 2001
Herton Escobar Agência EstadoDe São Paulo 
A indústria farmacêutica internacional aproveitou-se de uma brecha no processo de qualificação dos medicamentos antiaids brasileiros para minar as propostas do Brasil na Assembléia Mundial de Saúde, em Genebra, que visam a facilitar o acesso a remédios mais baratos nos países em desenvolvimento. Os anti-retrovirais produzidos no País não são oficialmente genéricos, mas similares - ou seja, não passaram por testes de bioequivalência, que comprovam serem iguais aos medicamentos originais.
Dos 12 anti-retrovirais distribuídos gratuitamente pelo Programa Nacional de Aids, 7 são produzidos no País por laboratórios estatais. Segundo o Ministério da Saúde, 6 medicamentos fabricados pela Farmanguinhos/Fiocruz já foram aprovados em testes de bioequivalência e podem receber o registro de genéricos. São eles: didanosina comprimido, lamivudina comprimido, zidovudina cápsula, estavudina cápsula, zalcitabina comprimido e zidovudina/lamivudina comprimido.
Entre os médicos brasileiros, não há dúvidas de que as drogas nacionais funcionam tão bem, ou até melhor, quanto os remédios importados. A qualidade dos medicamentos é incontestável, garante a infectologista Grace Suleiman, do Hospital Emílio Ribas, que lida com até 150 pacientes por semana. Não há diferença na eficácia do tratamento, concorda a médica Stella Maris Santos Bueno, infectologista do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids em São Paulo.
Amamentação A Organização Mundial da Saúde aprovou ontem, por unanimidade, a resolução brasileira sobre a ampliação da amamentação materna até os seis meses de vida. Antes da proposta, a OMC estabelecia como meta de quatro a seis meses.


