A multinacional Aracruz Celulosa e líderes indígenas do Espírito Santo chegaram a um acordo sobre a área reivindicada pelos guaranis e tupiniquins em troca de um apoio financeiro para os projetos comunitários. A revelação foi feita ontem no Rio de Janeiro por um porta-voz da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Através deste acordo, os tupiniquins e guaranis cederão, por vinte anos, a área de 2.500 hectares que acabam de ganhar da Aracruz, que também se comprometeu em investir US$ 20 milhões em projetos de interesse da comunidade indígena.
As disputas entre guaranis e tupiniquins e a Aracruz ocorrem desde que a empresa multinacional se instalou na cidade de mesmo nome no final da década de 60. Os índios a acusam de ter invadido suas terras. No entanto, o porta-voz da empresa, Fernando Brandão, assinalou que as terras onde estão seus bosques de eucaliptos foram adquiridas legalmente no final dos anos 60.
Nos anos 80, a companhia doou 1.636 hectáres de suas terras para que fosse criada a reserva de 4.883 hectares dos guaranis e tupiniquins, e agora estão cedendo mais 2.500 hectares. Mas os índios, insatifeitos com a lentidão das negociações, decidiram invadir as florestas de Aracruz em março passado.
A atitude surpreendeu os representantes da empresa e da Funai, e quase provocou uma crise entre a Igreja e o governo por causa da prisão do missionário holandês Winfridus Gerardus Johannes Overbeek.
O porta-voz da Funai assinalou que, entre os projetos da Aracruz junto aos índios, destacam-se os que se destinm a alimentos, roupas e construção de moradias. Além disso, a empresa se responsabilizará pela implantação de um sistema de abastecimento de água para a citada comunidade.
A multinacional Aracruz é uma das maiores produtoras de celulose do mundo a partir do eucalipto. Em 1997, respondeu por 20% da oferta global deste tipo de fibra utilizada na fabricação de papel.

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