Multidões e greves ameaçam réveillon de Paris
principalmente o metrô, que vai circular até mais tarde. Ninguém deve ter muita esperança de encontrar um táxi a partir da meia-noite na passagem do ano. Restaurantes - Diante disso, muitos restaurantes da região, que esperavam faturar alto na noite de São Silvestre, decidiram cerrar suas portas, por razões de segurança, mas também pela quase impossibilidade de sua clientela ter acesso às suas salas. Nas comemorações da Copa do Mundo ocorreram incidentes que provocaram a morte de um manifestante e ferimentos em mais de uma centena. É isso o que se pretende evitar no dia 31, quando muita gente exagera no champanhe. Esse é o caso não só do Fouquets, um dos mais tradicionais restaurantes da noite parisiense, frequentado por artistas famosos. Também os restaurantes estrelados do conhecido guia Michelin, entre eles o Laurent, Ledoyen, Pierre Gagnaire, todos na região dos Champs Elysées, tiveram a mesma atitude. O Jules Verne, instalado no segundo andar da Torre Eiffel, já há alguns anos estava lotado e não aceitava mais reservas para o réveillon da passagem do século. Sua direção decidiu anular as reservas e cancelar a festa da passagem do ano. A mesma decisão foi adotada pelo famoso três-estrelas parisiense do Trocadero, Alain Ducasse. Seu restaurante na capital permanecerá fechado e Ducasse decidiu se concentrar no "piano" de seu outro três estrelas, o Luís XV , instalado no Hotel de Paris, mas em Mônaco. Até o McDonalds e o Quick Burger dos Champs Elysées fecham mais cedo no dia 31 , enquanto a boate Queen transfere sua pista de dança para o Hotel Concorde-Lafayette, um local bem mais tranquilo. Greve - Para agravar a situação, algumas categorias ligadas ao turismo ameaçam entrar em greve, desde o Natal. Esse é o caso da Disneylândia-Paris, o parque de atração que espera receber 45 mil visitantes por dia de agora até o fim do ano. Seus 9.600 assalariados permanentes exigem um abono de fim de ano de 2.000 francos (US$ 330,00) para os que trabalham as noites de Natal ou da passagem do ano. A direção do parque só admite pagar 700 francos (US$ 120,00). Como não houve acordo, uma greve foi decretada por sete dos nove sindicatos dos empregados. A direção promete bancar a greve e procura encontrar substitutos para os homens e mulheres que se vestem de Mickey, Pluto ou Minie. Os funcionários criticam a direção, que não pretende pagar o abono reivindicado, mas aumentou consideravelmente os preços dos ingressos. Outras categorias estão ameaçando paralisar suas atividades se não forem atendidas em suas reivindicações. Esse é o caso dos bombeiros, que podem cruzar os braços na noite do dia 31. O Sindicato Nacional dos Oficiais Bombeiros lançou ontem um apelo a uma greve total no dia 31. Os empregados de grandes lojas de departamento, como o Printemps e Galleries Lafayette, ameaçam parar nesses dias de grandes vendas. Os do BHV, já pararam por algumas horas na última sexta-feira. Outros que a cada dia aumentam suas ameaças são os assalariados do setor de informática, que tem a seu favor a própria ameaça do bug do ano 2000. Desempregados - Isso sem falar das associações de desempregados, que pressionam com manifestações diante do Medef, o movimento dos empresários, que corresponde a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) aqui na França. Eles reclamam um "Natal decente", exigindo um abono de 3.000 francos, além de uma melhora na indenização dos desempregados.Por Reali Júnior Paris, 22 (AE) - Quem estiver pensando em passar a noite da virada do ano 2000 em Paris deve se preparar para alguns transtornos. Paris é sempre uma festa, mas como constitui um pólo de atração muito forte (70 milhões de turistas visitaram a França no ano passado), nem sempre a cidade tem capacidade para receber tanta gente de uma vez. Neste ano, 1,5 milhão de pessoas deverão se concentrar nas áreas dos Champs Elysées e da Torre Eiffel, exigindo providências importantes para a segurança dessa multidão. É nessa área que vão se concentrar as festividades de passagem do século. Onze rodas-gigantes estão sendo montadas em toda a extensão dos Champs Elysées, além de uma já instalada na Place de La Concorde. Na Torre Eiffel e no Trocadero, a grande atração será o espetáculo de fogos de artifício da passagem do século, que promete ser grandioso. Para controlar a multidão, 20 mil policiais estão sendo mobilizados. Diante de tamanha concentração de público, a prefeitura de Paris decidiu proibir o tráfego de veículos nessas duas áreas e redondezas. As restrições para a circulação já começaram, mas se intensificam a partir das 12 horas do dia 30, sendo total no dia 31. A decisão tem provocado enormes congestionamentos na área. O público está sendo aconselhado a utilizar os transporte coletivo





