Multidão se despede de João do Pulo
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segunda-feira, 31 de maio de 1999
Agência Estado 
João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, foi sepultado ontem pela manhã em Pindamonhangaba. Apesar da chuva fina, centenas de pessoas permaneciam do lado de fora da Igreja São José, onde o corpo foi velado. Os corredores e bancos do templo estiveram lotados durante toda a noite de domingo.
Na missa de corpo presente, muitos anônimos se misturavam com autoridades políticas e militares, como o vice-governador e conterrâneo do atleta, Geraldo Alckmin. A tristeza do momento tinha sua tradução mais clara nas expressões do pai do campeão, Paulo de Oliveira, que amparava a neta Thaís, de 11 anos, filha de João do Pulo.
Mesmo calado, seu Paulo não conseguia disfarçar o sofrimento. Os olhos estavam distantes, provavelmente nas memórias herdadas na convivência com esse prodígio do atletismo. Esse era o quarto filho que via ser enterrado.
Do lado de fora da igreja, a multidão aumentava. Todos queriam ver e dar o último adeus ao João do Pulo.
Seis cabos do Exército faziam a guarda de honra do caixão coberto pela bandeira nacional, colocado nas proximidades do altar. O céu azulado demorou a aparecer, mas surgiu pouco antes da 9 horas quando o cortejo teve início e com ele as últimas homenagens a um dos atletas com maior projeção no cenário nacional. O sepultamento de João do Pulo, um dos filhos mais ilustres da cidade, foi acompanhado por uma multidão que se aglomerou nas ruas, praças e no cemitério municipal.
O Exército trouxe dois tanques de esteira blindados, M113, para levar a urna funerária e acompanhar o tenente e herói nacional nos Jogos Pan-Americanos, realizado no México, em 1975. A pequena distância entre a nave da igreja e o veículo de guerra que aguardava o caixão foi feita lentamente. Mais uma vez parecia que João Carlos de Oliveira tentava superar a própria morte, como fez nos 10 meses de luta no leito dos hospitais em 1981, após o acidente que lhe levou a perna direita. E agora, mais recente, a agonia de mais de um mês, até a ocorrência da falência múltipla dos órgãos e a infecção generalizada, que provocaram a morte do ex-atleta.
Os batedores da Polícia Militar abriram caminho pelas ruas centrais da cidade. O comércio cerrou as portas e numa última homenagem a Igreja da Matriz badalou os sinos. A população de Pindamonhangaba tomou conta do trajeto de cerca de dois quilômetros, percorrido em 40 minutos, até chegar ao cemitério municipal, e aplaudiu o ídolo. A cova, num túmulo simples pertencente à família, estava cercada por mais de três mil pessoas.
Dentro do cemitério, seu Paulo recebeu das mãos de um oficial do Exército a bandeira que cobriu o corpo e depois o tampo da urna. A família, mesmo atrapalhada pela multidão e pela imprensa, conseguiu se reunir ao lado da sepultura. O pai de João Carlos, momentos depois do sepultamento teve de ser levado ao hospital para ser medicado contra o mal-estar causado pela emoção.
Num último adeus a João do Pulo, a atleta veterana, Odete Valentino Domingos, que cuidou do campeão no início da carreira, extravasou seus sentimentos quando a última coroa de flores foi depositada: Obrigado por tudo de bom que você fez aqui.


