O papa João Paulo 2º sorriu e acenou para a multidão que, sem a intervenção dos soldados do Exército, pôde se aproximar do carro que o levou ontem à tarde para a Base Aérea do 3º Comar, na Tijuca. No banco da frente do mesmo Alfa Romeo que pela manhã o havia levado, de semblante fechado, para o encontro com o presidente Fernando Henrique, o papa parecia satisfeito por ter sido atendido.
O Exército estava fora das ruas. À tarde, apenas policiais militares cuidavam do trajeto percorrido pela comitiva papal entre a residência do Sumaré e a Base Aérea, onde ele tomou o helicóptero que o levou ao Riocentro.
Na rua do Bispo (na Tijuca, zona norte) o policiamento foi feito por poucos PMs. A rua, que tem duas faixas, foi ocupada por fiéis que deixavam espaço para a passagem de apenas um carro de cada vez. Quatro batedores da comitiva papal foram chamados para ajudar os policiais militares a abrir caminho. ‘‘O papa queria o povo perto, agora ele vai ver’’, disse um deles, descendo da moto.
Pela manhã, a rua estivera ocupada por soldados da Polícia do Exército em uniformes de camuflagem e armados com fuzis e bombas de gás lacrimogêneo. A rua margeia o morro do Turano.
Desde o início da preparação do esquema de segurança da visita, o local vinha sendo considerado um dos pontos mais críticos dos trajetos em termos de segurança.
Às 17h05 a comitiva surgiu na descida da estrada do Sumaré. Sem cinto de segurança, João Paulo 2º olhava para os lados, aparentando satisfação. A comitiva seguia em baixa velocidade. O primeiro carro, que levava os responsáveis pelo esquema de segurança da visita papal, adiantou-se um pouco e parou na esquina das ruas do Bispo e Haddock Lobo. Ali, a aglomeração era tão grande que tornava difícil a passagem da comitiva. Um dos ocupantes do carro, com ar aflito, falava pelo rádio. Pouco depois, mais batedores chegaram e pararam suas motos para tentar conter os fiéis.
Instantes depois, o carro com João Paulo 2º chegava à esquina. Ali o motorista reduziu bastante a velocidade. Sempre sorrindo, o papa acenava para todos os lados.
O papa João Paulo 2º vai voltar para Roma, no domingo, em um avião da Varig, MD-11, prefixo VPK, vôo RG 1.040. O avião, que tem capacidade para 282 passageiros, transportará 86 pessoas, entre a comitiva papal e jornalistas. A primeira classe - onde viajarão, além do papa, o cardeal Angelo Soldano, secretário-executivo do Vaticano, e o monsenhor Dziwisz - foi transformada em uma sala de estar, com sofá, mesa de reunião e quatro poltronas.

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