O pai-de-santo Tomás Alves, de 58 anos, morreu sábado depois de ser vitimado por um linchamento na Bahia. A polícia baiana apurou que Tomás foi espancado e morto por uma multidão, depois de ferir a golpes de foice e facão os seus vizinhos Valdete Silva e Helenilson Menezes, na localidade de Caboto, Região Metropolitana de Salvador (BA).
Segundo a delegada Eliane Tourinho Alves, o pai-de-santo havia discutido com Valdete e o filho dela, Helenilson, por causa de um suposto roubo de uma carteira contendo dinheiro que pertenceria a um parente de Tomás. ‘‘Disseram a ele que Helenilson tinha sido o autor do furto’’, disse a delegada. ‘‘Ele resolveu então procurar o suspeito por conta própria.’
‘‘Proteção’’Ao abordar o vizinho na tarde de sábado, Tomás descontrolou-se e começou a brigar, usando um facão e uma foice para atingir Helenilson e Valdete. Alertados pelos gritos de socorro, os vizinhos passaram a perseguir o pai-de-santo, que foi alcançado e terminou agredido a socos, golpes de pedras e pedaços de madeira pela multidão. Os policiais militares chegaram tarde, mas ainda levaram Tomás para o hospital, onde foi medicado.
Transferido para a delegacia a fim de prestar depoimento, o pai-de-santo morreu no trajeto, em consequência dos ferimentos recebidos pela multidão enfurecida.
No terreiro de Caboto, dedicado a Oxóssi (orixá dos caçadores, representado nas macumbas por um arco atravessado de flecha), a morte do macumbeiro Alves interrompeu o ritual de ‘‘sacudimento’’, no qual os adeptos do candomblé se submetem no início de cada ano, curiosamente para ‘‘garantir’’ a ‘‘proteção do santo’’.

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