Multas já cobrem custo da Operação Mandacaru, diz general
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por ¶ngela Lacerda (enviada especial) 
Floresta, PE, 03 (AE) - O general Alberto Cardoso, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, afirmou hoje que o montante de multas relativas à sonegação fiscal detectado nos quatro primeiros dias da Operação Mandacaru já cobrem os custos da força-tarefa, que representa um investimento de R$ 7,5 milhões. Também a investigação bancária realizada na primeira semana de funcionamento da operação identificou muitos bancos - ele não citou nomes - que têm movimentação financeira que não condiz com a renda da região do polígono da maconha. Esses trabalhos estão sendo feitos pela Receita e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e são, de acordo com o ministro, o mecanismo que completa o ciclo de combate ao tráfico e cultivo de maconha nos 15 municípios do polígono da maconha, no sertão pernambucano.
Cardoso observou que na região poderão ser presos, no máximo
um traficante intermediário ou um chefe de quadrilha. "Os grandes alvos são os financiadores, que não moram no polígono", afirmou, reforçando a importância da devassa financeira para se chegar aos que estão por trás do tráfico.
O ministro fez estas afirmações em entrevista coletiva, em Floresta, a 428 quilômetros de Recife, um dos 15 municípios integrantes do polígono da maconha. Ele reafirmou que a Operação Mandacaru vai erradicar definitivamente a maconha na região, devendo tornar-se referência nacional, assim como a CPI do Narcotráfico. E disse que o objetivo final da operação é dar a sensação de segurança à população de 400 mil habitantes da região do polígono, que há 40 anos é controlada pelo crime e pelo tráfico da droga.
Cultura - O enraizamento da cultura da maconha na região e o controle social exercido pelos traficantes e criminosos sobre a população foi o que determinou, segundo ele, o porte da Operação Mandacaru, que envolve 2.000 homens das polícias e das Forças Armadas e 20 entidades federais e estaduais. A operação também está mantendo bloqueios em 16 estradas da região e erradicou nos três primeiros dias 306.342 pés e mudas de maconha em 72 plantios. Foram destruídas 111 sementeiras e 101 quilos da droga pronta para consumo. Foram presas 10 pessoas.
O ministro disse ainda que a saída da força-tarefa da região - num prazo de 40 a 60 dias- não deixará um vazio na área porque será instalada uma delegacia da Polícia Federal no município de Salgueiro (centro de distribuição da maconha) e o governo de Pernambuco vai desenvolver uma ação intensa na área da segurança pública na região.
O general falou sobre a ponta complementar do programa de erradicação da maconha, o Projeto Moxotó-Pajéu, que considera a "grande solução sócio-econômica da região". Ele disse que o projeto prevê a criação, em quatro anos, de cem mil novos empregos na área. Estima-se que o polígono da maconha tenha de 30.000 a 40.000 pessoas envolvidas direta ou indiretamente com a droga.
De acordo com o superintendente do Banco do Nordeste - financiador do projeto -, Manoel Farias, a meta é a de injetar na região R$ 400 milhões até 2003, financiando projetos de fruticultura irrigada, piscicultura e ovinocaprinocultura a pequenos agricultores, num incentivo às atividades lícitas. Desde julho, quando foi criado, o projeto realizou 2.000 operações no valor de R$ 15 milhões. Até o fim do mês outros R$ 28 milhões serão usados.


