Brasília, 04 (AE) - Passada a surpresa provocado pela decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de vetar o projeto de lei que anistiaria as multas eleitorais aplicadas nas eleições de 1996 e 1998, começa a se formar entre os parlamentares a opinião de que a decisão do presidente será mantida. Ou seja, nem mesmo os deputados e senadores multados conseguirão reunir o quórum mínimo de 257 votos na Câmara e 41 votos no Senado para derrubar o veto. Quer dizer que a Justiça Eleitoral não terá que passar pela desmoralização de ter seus atos sumariamente anulados pelo Congresso.
O benefício favoreceria aos candidatos derrotados e aos eleitos, como governadores, senadores, deputados federais e estaduais que de alguma forma infringiram as normas da Lei Eleitoral na campanha. Ainda não há data da sessão do Congresso que vai decidir a questão.
Para o vice-líder do PFL, deputado Pauderney Avelino (AM), o assunto só deve entrar na pauta no final de fevereiro ou início de março, depois de concluídas as votações de matérias mais urgentes da convocação extraordinária. Para o deputado, superado o susto de ter Fernando Henrique decidindo contra grande parte de sua bancada, resta a convicção de que o veto foi a medida mais acertada.
"A sociedade não aceitaria essa anistia em nenhuma hipótese", constatou. "Iria pegar muito mal para o Congresso". Pauderney descartou a possibilidade de seus colegas reagirem contra o veto votando, na convocação, contra matérias de interesse do governo. Ele atribuiu esse tipo de reação à "uma reflexão sensata diante dos fatos".
Também o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), está convencido de que o veto do presidente será mantido, sem provocar rachas na base parlamentar do governo. "Nunca vi a derrubada de um veto e não acredito que isso vá ocorrer agora", argumentou. Machado disse que respalda sua previsão não apenas na dificuldade em reunir um quórum qualificado, mas principalmente pelo desgaste que a anistia eleitoral causaria ao Congresso.

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