Cuiabá, 28 (AE) - Em apenas 15 dias, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou multas no valor de R$ 15 milhões em fazendeiros e madeireiros de Mato Grosso. O fazendeiro Zanete Okada, de Alta Floresta, no norte do Estado, a 800 quilômetros de Cuiabá, recebeu hoje a maior multa individual aplicada pelo órgão no País, no valor de R$ 4.123,93 milhões. A multa foi em razão dele ter desmatado e queimado ilegalmente 3.080 hectares - área total da propriedade - de mata nativa na sua Fazenda Zanete 3.
Segundo o chefe do setor de fiscalização do Ibama, Marcos Pinto Gomes, o fazendeiro infringiu a Lei da Natureza, que, em seu anexo 2, trata de área de reserva legal. A lei estabelece que no Norte do País e na parte norte do Centro-Oeste
as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou recuperadas, só serão permitidas desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 50% de cada propriedade. Já nas áreas onde a cobertura arbórea, que se constitui de fitofisionomias florestais, não será admitido o corte raso em pelo menos 80% dessas tipologias.
De acordo com o superintendente do Ibama em Mato Grosso, Nivaldo Gomes Bezerra, uma equipe de 50 fiscais do órgão está no norte do Estado para atuar os infratores contra o meio ambiente. Segundo o instituto, já foram lavrados 40 autos de infração no MT contra todo tipo de crime contra a natureza, como o desmatamento irregular, transporte de madeira ilegal, queimada e atividade garimpeira, entre outros. "A aplicação da maior multa em Alta Floresta mostra que estamos vigilante", diz Bezerra. Serraria - A segunda maior multa aplicada este ano em Mato Grosso foi contra a Serraria Turatti, localizada próximo ao município de Aripuanã, a 1.196 quilômetros a Noroeste de Cuiabá, no valor de R$ 809 mil por extração ilegal de espécies nobres de madeira. Os fazendeiros e madeireiros, disse o Ibama, terão 20 dias para pagar a multa ou recorrer à Justiça.
Com a "Operação Amazônia Fique Legal", deflagrada dia 26 de junho deste ano, o Ibama passou a adotar uma nova técnica para combater a extração e o transporte clandestino de madeira no Estado: a explosão, com dinamite, de pontes construídas sobre igarapés pelos madeireiros para facilitar a passagem de caminhões e tratores que vão recolher o que foi derrubado. A Procuradoria da República em Cuiabá move sete ações na Justiça Federal contra empresas madeireiras acusadas de extração de madeira sem autorização do Ibama.

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