Curitiba- Um milhão de reais por dia é o valor da multa estipulada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Ambiental do Paraná (IAP) contra as quatro empresas envolvidas no acidente com o navio chileno VicuÀa, em Paranaguá, Litoral do Estado. A multa, que ainda não é referente às consequências do desastre ambiental, foi aplicada pela demora nas providências para conter o óleo bunker (combustível) que vazou da embarcação e evitar que o produto continuasse se alastrando e contaminando o meio ambiente.
Foram autuadas em R$ 250 mil/dia, cada uma, as empresas Cattalini, dona do terminal marítimo; a Sociedad Naviera Ultragas, proprietária do navio; a Wilson Sons, agência marítima, e a seguradora P&I. A multa por danos ambientais, que pode variar de R$ 1 mil a R$ 50 milhões, será estipulada após a conclusão dos laudos da análise da água e dos animais mortos e de uma avaliação da extensão dos danos ambientais.
O presidente do IAP, Rasca Rodrigues, disse que os órgãos ambientais haviam exigido a instalação de três anéis de barreiras ao redor do navio, que só foram providenciados 48 horas após o acidente.
Até ontem, o óleo continuava vazando. Os técnicos não sabem precisar ainda a quantidade que atingiu o mar. A equipe da Folha percorreu de barco um trecho da Baía de Paranaguá. A cerca de dois quilômetros do local do acidente a contaminação de manguezais e nas encostas das ilhas é visível e o cheiro do óleo é forte.
Rodrigues não descarta a possibilidade do óleo chegar até as praias, situação que já preocupa comerciantes locais por causa da proximidade do início da temporada. Além de Paranaguá, a mancha já se espalhou pelas baías de Antonina e Guaraqueçaba. O avanço do óleo pode atingir, inclusive, o litoral sul de São Paulo. Quarenta pessoas trabalham na limpeza da Ilha do Mel.
Segundo informações da Capitania dos Portos do Paraná, serão iniciados, hoje, as operações de mergulho para inspeção das partes do navio que ficaram submersas e verificação das causas do vazamento de óleo. Além das 1,2 mil tonelada de óleo bunker, o navio armazenava 120 toneladas de óleo diesel. Nesta primeira fase dos trabalhos de remoção do navio, a empresa holandesa Svitzer Wijsmuller fará a retirada dos líquidos de bordo. Ontem, em um mergulho exploratório a empresa constatou rasgos no casco na região da proa.
Cinco equipes de técnicos do Ibama, do Centro de Estudos do Mar, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e da Sociedade de Proteção em Vida Selvagem (SPVS) iniciaram ontem o trabalho de resgate de animais mortos ou contaminados pelo óleo. Eles percorreram a região da Ilha do Mel e do Superagui, onde havia informações de botos, tartarugas e biguás mortos. Um contêiner foi instalado no terminal da Cattalini para servir como centro de captura e recuperação dos animais.
O gerente do Ibama no Paraná informou que foram encontrados mortos seis botos, duas tartarugas e duas gaivotas, devido ao combustível derramado.
O superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, decidiu suspender as atividades do terminal da Fospar, empresa de fertilizantes, por causa do risco da movimentação de navios na área que fica a 200 metros do local da explosão do VicuÀa. Os terminais de inflamáveis da Cattalini e da Transpetro já estavam interditados.
A ambientalista da organização não governamental (ONG) Movimento Ecológico do Litoral (Mel), Maria Esmeralda Quadros, pediu providências ao superintendente do porto em relação ao píer da Cattalini. Segundo ela, o Relatório de Impacto Ambiental (Rima), feito na época da instalação da empresa, teria apontado riscos de choques entre navios durante manobras por causa da proximidade com terminal da Transpetro. Eduardo Requião disse que iria checar a informação.

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