Curitiba – Representantes de coletivos feministas saíram às ruas de todo o País, ontem, para lembrar o Dia Internacional da não-Violência contra a Mulher. A data é uma homenagem às irmãs Mirabal, Minerva, Pátria e Maria Tereza, conhecidas como "Las Mariposas", que foram assassinadas no dia 25 de novembro de 1960 pelo ditador Rafael Leônidas Trujillo, da República Dominicana. O ato de Londrina aconteceria no Calçadão, mas foi cancelado devido ao mau tempo. Já na Capital, aproximadamente 50 pessoas se reuniram na Praça Santos Andrade, no centro.
Algumas participantes se deitaram no chão, pintado com tinta vermelha para lembrar os 4.762 feminicídios registrados no Brasil em 2013, conforme o Mapa da Violência, da Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais (Flacso). Trata-se do quinto maior índice do mundo. "A cada duas horas uma mulher é assassinada, por conta do machismo e da cultura patriarcal", avaliou Célia Regina, da União Brasileira de Mulheres (UBM).
Segundo a secretária da Mulher da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná, Anacélie Azevedo, faltam políticas públicas no Estado que previnam e combatam esse tipo de crime. "São 399 municípios e somente 17 delegacias. A de Curitiba, por exemplo, fica no Batel (um bairro ‘nobre’), e não atende a maioria das mulheres em risco, que são da periferia".

Mulheres vão às ruas contra a violência
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"POR NÓS E PELAS OUTRAS"


Presente ao evento, a corretora de imóveis Telma Mello contou que sempre acompanhou o movimento feminista, mas que começou a se envolver mais há dez dias, quando a sua irmã, a funcionária pública Tânia Mara Aparecida de Mello, de 51 anos, foi morta em Almirante Tamandaré, na região metropolitana. "Ela foi violentada brutalmente e, como se não bastasse, o agressor passou com o carro por cima", disse. Em dez anos, a incidência de óbitos de negras, como Tânia, cresceu 54,2%, enquanto a de brancas caiu 9,8%, de acordo com a pesquisa da Flacso, divulgada no início deste mês. "Estou aqui pela Tânia, por nós e pelas outras", acrescentou Telma.
Como o município não possui uma delegacia especializada, a morte da servidora é investigada pela delegacia comum. O delegado responsável, Nasser Salmen, falou à FOLHA, por telefone, que trabalha com a hipótese de homicídio culposo (quando não há intenção de matar). "Acho que não se trata de um caso ‘mais grave’. Estava chovendo no dia. Tudo leva a crer que ela caiu e aconteceu o atropelamento."
Logo após o ocorrido, Salmen relatou à imprensa que Tânia se envolveu em uma briga numa festa, foi agredida e alguém saiu atrás dela. "Embora ela já estivesse lesionada, acredito que a consumação final foi outra", explicou. Câmeras do Fórum, localizado em frente, flagraram o ocorrido. "As imagens foram mandadas à perícia, para fazer a individualização dos quadros. Estou aguardando os laudos", completou o delegado. Até agora, o suspeito não foi identificado.

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