Mulheres sem-terra e assentadas protestam contra Justiça e cortes de verbas para reforma agrária
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de março de 1999
Por Luiz Carlos Lopes 
Marília, SP, 08 (AE) - Cerca de 500 mulheres pertencentes a diversos assentamentos e acampamentos do Pontal do Paranapanema (SP), ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), promoveram hoje uma manifestação de protesto em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Elas se concentraram em frente ao prédio do Fórum de Pirapozinho, em repúdio contra as medidas judiciais que, segundo elas, levam à decretação de prisões preventivas e condenações de trabalhadores sem-terra, processados por formação de bando e quadrilha.
Lideradas por Diolinda Alves de Souza, mulher do líder dos sem-terra José Rainha Júnior, concentraram-se inicialmente no trevo de acesso de Pirapozinho, de onde seguiram em caminhada até o fórum. Por determinação do juiz Darci Lopes Beraldo, uma comissão de oito representantes foi recebida em audiência da qual também participou o promotor Marcos Akira.
Diolinda não integrou a comissão que entregou ao juiz um documento no qual reafirmam o protesto contra o Judiciário e criticam o corte de verbas destinadas à reforma agrária pelo governo federal. O juiz considerou a manifestação pacífica e comprometeu-se a ler o documento e, sendo o caso, encaminhá-lo aos órgãos competentes. Após a audiência, as mulheres prosseguiram a caminhada até a praça central da cidade, onde realizaram uma assembléia e encerraram a manifestação.


