Brasília- A Associação Juízes pela Democracia fez um alerta ontem sobre a vulnerabilidade das mulheres ao recrutamento do tráfico de drogas. De acordo com a associação, que faz parte do Grupo de Estudos e Trabalho Mulheres Encarceradas, cerca de 40% das mulheres presas foram condenadas por envolvimento com o tráfico de entorpecentes. Entre os homens, esse índice é de 13%.
''A maior parte das mulheres não se envolve com os chamados crimes violentos, explica a juíza da 16 Vara Criminal de São Paulo Kenarik Boujikian Felippe, integrante da Associação Juízes pela Democracia.
A diretora da Subsecretaria de Ações Temáticas da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Elisabete Pereira, lembra que a mulher, por uma série de características, que vão desde a questão da fidelidade à opressão e submissão ao homem, está sendo muito mais usada pelo tráfico.
''Ela é recrutada para ser a chamada mula (que carrega pequenas quantidades de droga). E acaba indo presa muito mais do que o homem, lamenta a diretora.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Interamericanos (OEA), sediada em Washington, recebe ontem um relatório sobre a violação dos direitos humanos no sistema prisional feminino brasileiro.
O documento foi preparado pelo Centro pela Justiça e pelo Direito Internacional (Cejil), pela Pastoral Carcerária Nacional, entidade ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e pelo Grupo de Estudos e Trabalho Mulheres Encarceradas.

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