Curitiba- Menos pressionadas a ingressar cedo no mercado de trabalho, as mulheres são a maioria nos bancos escolares do ensino médio. É o que constata a pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira vinculado ao Ministério da Educação (MEC) e divulgada esta semana. Nas três séries do ensino médio, a participação feminina é de 54,1%.
A pesquisa tomou por base o Censo Escolar 2003. Analisando o número de matrículas do público feminino no Paraná, os maiores percentuais estão em cidades pequenas. O maior deles (66%) foi registrado em Cruzeiro do Oeste (25 quilômetros a leste de Umuarama). Na cidade, que tem aproximadamente 20 mil moradores, dos 1.346 estudantes de ensino médio, 888 são mulheres.
A coordenadora de políticas públicas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Maria Luíza Marques Dias, em uma análise geral, afirmou que, nos municípios menores onde normalmente a agricultura é a principal atividade econômica, um dos fatores de influência da ausência de homens na escola é a sua presença no campo. Outra tendência é de atraso escolar. A idade normal de ingresso no ensino médio seria de 14 ou 15 anos. ''Quanto mais velho o aluno, mais ele tende a ser atraído para o mercado de trabalho'', avaliou.
Em algumas localidades a participação feminina é pouco expressiva. Esse é o caso de Rio Bom (45 quilômetros ao sul de Apucarana), onde dos 179 alunos, 118 são homens e apenas 34,1% são mulheres.
Nas grandes cidades a proporcionalidade entre homens e mulheres é mais equilibrada. Maringá é a que mais se aproxima da média nacional e onde mais se distancia o número de alunos do sexo feminino. São cerca de 2,6 mil mulheres a mais nos bancos escolares. Para Maria Luíza, nas cidades maiores, os programas pedagógicos já conseguiram corrigir as distorções entre idade/escolaridade.
Entre os 5.395 municípios brasileiros analisados, o que apresentou a maior participação feminina foi Cajazeiras do Piauí, onde 38 dos 47 alunos são do sexo feminino, o que representa 80,9%. O menor percentual foi identificado em Inconfidentes (MG), onde as mulheres representam 24,8% do total da matrícula.

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